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Extra!! Resumo-largada da VOR 2011/12

Só para ilustrar... Chris Hill registrou o exato momento que a lenda do surfe havaiano Laird Hamilton pula do 'Puma' depois da parte "costeira" da largada de hoje. Esses sabem marquetar...

Querido amigo e queridíssima amiga,

Como você sabe, este Manza está aqui na antiga cidade romana de 3.000 anos, a tal Alicante, no Mediterrâneo espanhol como convidado da Inmarsat e da organização da regata (nenhum, repito, nenhum brasileiro teve a gentileza de trazer este jornalista… Sorte que hoje meu trabalho tem algum reconhecimento internacional!) para cobrir mais uma largada rumo aos confins do planetinha azul. E que largada!

Bem, vamos abstrair o fato de que seis barcos é pouco para um evento deste porte. Mesmo porque, o Sanya, na verdade o antigo Telefonica Azul, não dá muito para o gasto junto as estes VO70 de 6ª geração. No time chinês, Mike Sanderson, que estreou a classe no imbatível Black Betty, o ABN AMRO1, em 2005/6, vai margar um pouquinho. Nos instrumentos, o navegador Aksel Magdahl, do antigo Ericsson 3, que na última surpreendeu meio mundo (incluindo este jornalista metido a navegador também…) quando em um gesto ousado descolou da flotilha, contornou uma frente pelo Norte, enquanto o rumo era pro Sul, e fez a fama que garantiu seu emprego chinês de agora. Mas haja criatividade! Vai ser duro!!

Na outra ponta do espectro, vêm os cinco times que se preparam com igual (quase!) orçamento, tempo, vontade e esperança. Das pranchetas competentíssimas de Juan K, com quem tive o prazer de bater um bom papo ontem, saíram três dos bólidos que hoje rumam para o cabo de Gata, de lá para as colunas de Hércules (Gibraltar), mais além para Noronha e finalmente para o Sul da África do Sul. O cara desenhou o Telefonica, o Puma e o Groupama. Dentre eles, os mais modernos são os dois primeiros, deixando os franceses, apressadinhos, que resolveram construir a nave antes, sem alguns dos recursos mais recentes.

Não é preciso dizer que o coração mânzico-tupiniquim bate mais forte pelo time azul-espanhol. O futuro papai Joquinha e o diretor técnico, que não para de atender telefonemas e mandar mensagens, Horácio Carabelli, são parte do núcleo duro da equipe. E o jovem comandante Iker Martínez, 34 anos, duplamente medalhado na olímpica 49er, tricampeão mundial e vice-campeão na duríssima Barcelona World Race em dupla com seu inseparável Xabi Fernández, de Open 60, sem escalas pelo mundo, é um cara, para usar o termo da moda, diferenciado. Meu avô diria apenas: diferente… Mas vá lá! O fato é que o barco tem segredinhos que não conto nem amarrado (comparem, por exemplo, a parte de baixo das bolinas e o espelho de popa…) e uma tripula experiente e entrosada que sabe fazer a diferença quando necessário. No escrever destas mal traçadas, os cara já estavam à frente da flotilha. Que permaneçam assim!!

O Puma é outro sério candidato. Se seu comandante, Ken Read (o famoso, pode ler!), vice de Torben e cia. no passado recente e estrela da J/24, está um degrauzinho abaixo dos colegas de comando Iker e Ian Walker, sua tripula, em conjunto, está um degrauzinho acima. E, sinceramente, junto a Walker parece o mais determinado a vencer. Mesmo porque, diferentemente do irlandês, agora almirante árabe, com duas pratas olímpicas, de 470 e Star (detalhe que hoje assisti a tudo ao lado de seu proeiro estrelado, Mark Covell no barco da Inmarsat), Read terá o ápice de sua carreira se vencer a VOR. Veremos!

Par finalizar a flotilha da letra K, temos o supra citado Groupama, que traz no comando ninguém menos que Franck Cammas (que é baixinho de um tanto que você nem acredita… Tipo metro e meio no máximo…). Pois o cara é um gigante no oceano. Além de deter o recorde absoluto da volta ao mundo à vela, o Troféu Júlio Verne, com incríveis 48 dias no máxi-trimará homônimo do time volvíco, ele, no mesmo trimarã adaptado para solitário, venceu a última Rota do Rum. Isso, acrescido do fato de que os franceses (e seus fãs pelo mundo afora) se consideram os melhores velejadores de altura (offshore, ô anglófilo!) do globo, faz com que o fato dos cinco gauleses presentes, e seu líder, tenham a enorme responsabilidade de mostrar que são os varões do universo mesmo. A conferir!

Completando os times, temos o único desenho de Bruce Farr na prova, o Azzam, do time de Abu Dhabi, que parece que de tanto apanhar do argentino Señor K resolveu deixar a teimosia de lado e buscou fazer um barco mais potente, estável e que já mostrou grande potencial nos ventos fracos da in-port de acá. Ah… E os dois lemes, embora ainda sejam menores que os dos outros, cresceram bem em relação à dupla de Telefônicas de 2008/9. Mas nada disso seria tão importante se não fosse Ian Walker e sua tripulação em cima do barco. O cara veleja muito (provou isso no Green Dragon de antanho), está motivadaço e com os petrodólares emirados fluindo como um jorro no deserto, o time tem tudo para dar certo. Fora que os gráficos do barco negro com a águia nas velas são, junto aos do Puma, os mais bonitos da nova galera. Bonito!

Por fim, temos os hispano-kiwis de Chris Nicholson no Camper. Barco este que é, de longe, o mais diferente da flotilha. Meio na encolha ontem testemunhei um diálogo interessantíssimo de Horacinho com um dos engenheiros do escritório de Marcelino Botín e pelo que pude depreender na minha santa ignorância, o barco dos caras tem muito mais volume à vante, o que na merreca e nas águas lisas ajuda, mas nos ventos mais fortes e mar com ondas altas atrapalha. Bem, hoje a disparada que eles deram no ventão terral (forte, mas sem ondas) me pareceu mais que ok. Agora, já em 5º na tabela, só batendo o ‘café com leite’ Sanya, e sabedores que as mediterrânicas condições lá no mar de meu Deus são assustadoras neste momento, já penso que entendi certo. Saberemos! A acrescentar apenas o pé frio do comandante australiano que veleja no Team New Zealand. Nas duas últimas VORs o cara quase afundou no Movistar e depois sofreu um rompimento de ligamentos no Puma passado quando um companheiro arremessado por uma onda caiu em cima do joelho, que não foi mole não. Saravá meu pai!!

E para finalizar esta cartinha que virou um cartão, vamos aplaudindo a ideia de nosso amigo CEO da coisa toda, Mr. Knut Frostad, que reuniu, sob a égide da tal regata das lendas, uma flotilha de antigos competidores e vencedores destes quase 40 anos de volta ao mundo que vou te contar! Uma aula de história de vela, aventura, design e tudo mais no píer bem em frente de nossos olhos. E para minha alegria cito a Inmarsat de novo para dizer que ao meu lado no catamarã deles (o único a acompanhar os VO70 em disparada rumo a Santa Pola) meu ídolo das letrinhas vélicas James Boyd e ninguém menos que ela, a simpaticíssima viúva de Peter, Lady Pippa Blake em pessoa. Na Iate Life 35 leia entrevista com a moça.

Fui!! Comer pimientos de padrón…

Murillo Novaes

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