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Fim da VOR: Pra tudo se acabar na quarta-feira, ou a crônica de um carnaval sem alegria nos mares do mundo.

Na legendária Fastnet, a pedra mais famosa do mundo Vela, o Groupama fica bem na foto. Com o segundo lugar em Galway, justamente atrás do Camper, o baixinho Franck Cammas mostrou mais uma vez porque é um dos grandes da Vela mundial. Allez les bleus!!

Bem querido amigo e leitor, eis que chega ao fim mais um périplo global daquela que já foi a saudosa Whitbread, virou Volvo Ocean Race e também atende pela alcunha de regata de volta ao mundo. Quer dizer… Ao fim não chegou, porque nas irlandesas terras (águas) de Galway a quermesse comercial de promoção de marcas ainda vai correr uma regata de porto que não vale absolutamente nada.

Até poderia valer, se houvesse diferença menor que seis pontos entre quaisquer posições da tabela. Mas, como a diferença entre posições (de primeiro para segundo, segundo para terceiro, etc.,etc.) nas pernas oceânicas é de 5 pontos, você pode perceber a ironia, né? Ou seja, depois de inventar uma “largada” de regata de volta ao mundo que não vale nada, na verdade, uma regata de porto em Alicante, os caras conseguiram inventar uma “chegada” que também não vale PN…

E isso representa muito do que se tornou esta plataforma de marketing que outrora foi uma regata oceânica das mais respeitadas. Com foco, claro, como manda a cartilha do capitalismo pós-moderno, no ROI, o famoso retorno sobre investimento no acrônimo em inglês, dane-se o resto. Barcos, tripulações, corações, mentes, tudo é apenas um elo da grande corrente que visa dar visibilidade global às marcas de consumo que colocaram seus preciosos dinheiros na coisa toda.

E este sequestro da alma da regata, que inverte a lógica de tudo: não são os aventureiros que , com seu grande desafio, “enobrecem” e divulgam as companhias que os apoiam, mas sim as companhias que, com suas necessidades comerciais e de promoção, submetem os aventureiros a todo tipo de constrangimento. E nesta lógica perversa (e ousaria até dizer, burra) a Vela está sempre em segundo plano.

Sendo assim, nossos grandes navegadores não devem ir muito ao sul (é perigoso), não devem passar perto do chifre da África (é perigoso), devem aguardar a meteorologia ficar boa e largar para atracar de novo logo ali na frente (é perigoso) e não devem puxar muito os barcos (porque estes quebram – e como! -, e é perigoso). É algo como subir o Everest de botinhas ortopédicas, roupa aquecida, serviço à francesa e oxigênio em abundância. Mas com patrocínio, claro. E justamente tirando a aventura da aventura, fica difícil segurar os níveis de interesse e audiência, mesmo com toda a bem azeitada e profissional máquina de comunicação/promoção disponível.

Com isso, não pretendo e não devo retirar o mérito dos nossos amigos que, mesmo assim, arriscam seus pescoços nos oceanos do mundo nos emocionantes bólidos VO70. Nem quero parecer ingrato, porque, com muito orgulho e prazer, fui mestre de cerimônias nas duas últimas edições da regata no Brasil. Como amigo pessoal do Alan e do Enio, organizadores do stopover em Pindorama, do Knut, CEO da regata, da Sophie, coordenadora de comunicação, e de tantos outros envolvidos, uso esta tribuna digital apenas como um alerta. Do jeito que a coisa vai, o abismo é inevitável.

Claro que todos os méritos devem ser dados a Franck Cammas e sua tripulação, que mostraram porque os franceses são os maiores velejadores de oceano do planeta e, depois de conquistar o Troféu Júlio Verne, a volta ao mundo mais rápida (recorde já batido por Loick Peyron), conseguiram virar um jogo que parecia completamente ganho pela turma espanhola com sabor brasuca do Telefônica. Telefônica, este, aliás, que novamente mostrou tremenda falta de sorte e conseguiu despencar do topo, para fora do pódio no epílogo do Atlas. Joca e Horácio não mereciam isso!

Agora, o futuro aponta para novos barcos de 65 pés, monotipos, que vão custar aproximadamente, completos, 5 milhões de Euros cada (a campanha inteira deve ficar em 15 milhões de Euros) e, com isso, se espera um mínimo de 10 times na próxima edição. Pode ser que dê certo. Torço para isso. Mas se pensarmos que em plena crise europeia, a Vendée Globe (simples: volta ao mundo, solitário, sem paradas e sem assistência) deste ano já tem 19 Open 60′ inscritos, vemos que algo está estranho no futuro da VOR.

E, sinceramente, este carnaval sem samba está cada vez mais com cara de quarta-feira de cinzas.

Fui!!!

Murillo Novaes

Neto de Jacques Cousteau participa da Rolex Ilhabela Sailing Week

Ativista ambiental e referência mundial em sustentabilidade, Philippe Cousteau Jr. fará palestra no Yacht Club de Ilhabela. Evento terá coleta seletiva do lixo e apoio à criação ao Parque Marinho de Alcatrazes

Ilhabela (SP) – A 39ª Rolex Ilhabela Sailing Week será a mais voltada às causas sócio-ambientais de todas as edições. O evento, de 7 a 14 de julho, terá a presença de uma das maiores lideranças mundiais em sustentabilidade: Philippe Cousteau Jr., neto do lendário Jacques Cousteau. O ativista ambiental norte-americano participou recentemente da Rio+20 no Rio de Janeiro e estará em Ilhabela para prestigiar as 150 equipes e falar da limpeza dos oceanos na palestra ‘The state of our ocean’, marcada para a sexta-feira (13/7). Em paralelo, a maior competição náutica da América Latina terá reciclagem de todo lixo gerado e um espaço para assinatura da Petição Pública da ONG VIVAMAR relacionada à preservação e criação do Parque Nacional Marinho de Alcatrazes. O processo está em tramitação em Brasília aguardando liberação do Governo Federal.

Philippe Cousteau Jr. é correspondente especial da CNN Internacional e notório defensor especializado em meio ambiente. No DNA do ambientalista estão as causas sócio-ambientais. O avô dele, o francês Jacques Cousteau, foi documentarista, cineasta e oceanógrafo mundialmente conhecido por expedições de pesquisa pelos mares do mundo a bordo do Calypso. Cousteau venceu o Oscar em 1956 com o O mundo silencioso.

Em Ilhabela, Philippe Cousteau Jr. dará destaque à preservação dos oceanos, que correspondem a 70% do nosso planeta. Segundo o especialista, três fatores estão prejudicando o ecossistema: carbono, pesca excessiva e resíduos sólidos. “O carbono é aumenta a temperatura e acidez da água. Neste caso, é a mais preocupante. Não temos fiscalização e por isso defendo um ‘estado’ para os oceanos. Hoje é possível jogar lixo e pescar sem punição”.

A visita de Philippe Cousteau Jr.é mais um marco do Yacht Club de Ilhabela (YCI), que, além de ser referência na vela oceânica do País, formando campeões e novas classes, investe na preservação do meio ambiente. “Ilhabela é exemplo de cuidados com o meio-ambiente e o YCI oriente seus sócios e visitantes a fazer coleta seletiva e não sujar o mar. O Brasil é líder nessa área, prova disso é a Rio +20 e, porisso, temos de dar exemplo. A vela é um esporte limpo e o impacto é quase zero”, informa José Nolasco, diretor de vela do YCI e responsável pela organização do campeonato.

da ZDL de Comunicação

Equipes de Torben e Souza Ramos confirmam participação na Rolex a bordo de barcos da classe S40

Entre os dias 07 e 14 de julho, as tripulações dos S40 Pajero/Gol e Mitsubishi/Energisa voltam às raias do litoral paulista para a disputa da Rolex Ilhabela Sailing Week. Campeão da competição em 2010, o Pajero/Gol espera voltar ao lugar mais alto do pódio na edição 2012. “Sempre existe uma pressão para boas colocações, mesmo porque nós fomos campeões no Circuito Atlántico Sur Rolex Cup 2012. Mas estamos com uma tripulação forte e que tem sido mantida há um bom tempo. Sem dúvida, isso é um fato a nosso favor”, comenta o tático André Fonseca, o Bochecha.

André é um dos atletas de maior experiência no veleiro. Ao todo, são 18 títulos brasileiros, quatro sul-americanos e ainda dois campeonatos mundiais. “A vela é um esporte no qual o conhecimento é muito mais importante do que o preparo físico. Tendo essa experiência, você consegue ver as mudanças da natureza, as condições climáticas de vento, onda e correnteza para tirar proveito. Então, quanto mais você vive e compete, sua sabedoria aumenta e isso se torna um fator determinante numa regata”, explica Bochecha.

Essa mesma experiência não faltará no Mitsubishi/ Energisa. O veleiro terá no comando ninguém menos que o maior medalhista olímpico da vela mundial, Torben Grael, com medalhas de ouro em Atenas/04 e Atlanta/96, prata em Los Angeles/84, e bronze em Sidney/00 e Seul/88. “Nós temos um histórico de boas colocações na Rolex Ilhabela Sailing Week, que eu pretendo trabalhar para manter. Nessas horas, toda sua vivência ajuda e muito”, comenta o hexacampeão mundial de vela.

Considerada uma das classes de mais alto nível, a S40 reserva sempre surpresas e, para isso, Torben terá tripulação completa no barco Mitsubishi / Energisa. Um dos destaques, mais uma vez, será a presença de seu irmão, Lars Grael, campeão Mundial de Snipe, octacampeão Sul-americano de Tornado e duas vezes medalha de bronze nas Olimpíadas.

“As regatas da classe S40 são sempre muito disputadas e teremos uma tripulação com integrantes que não puderam competir na Mitsubishi Sailing Cup. E, mais uma vez, o meu irmão Lars levará seu conhecimento para o veleiro”, lembra Torben, que também é vencedor da Regata Volta ao Mundo e do prêmio ISAF de Velejador do Ano de 2009.

Da assessoria de imprensa

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