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Resumito: Robert e Bruno, bronzeados no verão inglês. Scheidt nos píncaros do olimpismo. Ben Ainslie também.

E Robertão Alemão subiu pela quinta vez seguida em um pódio olímpico. Mais um deus no panteão. Brunão, o fiel companheiro, ganha sua segunda medalha no Star.

Olá querido amigo e mais que querida amiga. Nesta pós-medalhada segunda-feira, vamos transmitindo direto do Leme da nave Rio de Janeiro, com orgulho máximo. Ontem foi dia de Medal Race no Star e de confirmação de mais uma bolachinha olímpica para o pacotinho tupiniquim., a 5ª medalha de Robert Scheidt, a 2ª de Brunão Prada. Uhuu!!

Para este humilde escriba foi um dia de alegria profissional também. Com orgulho, nos tempos de Brasil 1, lá em 2006, eu, Kadu Baggio, Marco Aurélio Sá Ribeiro e Tino Marcos, fizemos na SporTV a primeira transmissão de uma regata ao vivo na televisão no Brasil. Ontem, na TV Record, tive a honra de fazer com Maurício Torres, a primeira transmissão ao vivo de uma regata a vela na TV aberta brasileira.  Bão demais!!

Mas vamos a quem realmente interessa. A classe Star, como o dileto leitor e o Edu de Cabo Frio estão carecas de saber, é aquela que reúne os astros de 5ª grandeza da vela de monotipos mundial. E a polêmica regata final, criada pela Isaf, a regata da medalha, ou Medal Race em inglês, foi digna dos titãs que confrontaram Zeus.

Com a aparente tranquilidade da crônica de um resultado anunciado, já que de antemão sabíamos quem estaria no pódio de Weymouth, a busca pela verdade extrema, a posição final nos ditos degraus foi coisa de cinema. E cito o cinema porque se um roteirista qualquer fizesse da regata do Star o fim de um filme épico, a derrocada dos ingleses e consequente triunfo sueco, nos metros finais, seria citada como inverossímil. Coisa de roteiro ruim de um autor maniqueísta.

Mas a vida é real e de viés, como diz Caetano. E na realidade da vida, os suecos fizeram o que deviam. Venceram com autoridade máxima o confronto final das dez melhores tripulações estelares de Londres 2012. E com a ajuda dos deuses, que afinal derrotaram mesmo os titãs, os filhos de Odin viram, barco a barco cruzando a linha, o ouro cair em suas mãos.

É que a única possibilidade de Fredie Loof e Max Salminen saírem de Weymouth com a douradinha no pescoço, era colocar 5 barcos entre eles e os, até então, líderes ingleses, Iain Percy e Bart Simpson. E, claro, pelo retrospecto das 10 regatas da séria classificatória isso parecia impossível.

Na barla-sota de 6 pernas, quando os ingleses montaram a segunda boia lá embaixo em 4º, mesmo com a liderança sueca, a fatura parecia liquidada em nome da rainha e de seus súditos. E ainda na última boia da regata, já em 6º lugar, os britânicas tinham o ouro nas mãos.

No entanto, a famosa empáfia dos moradores da ilha ao norte do canal da Mancha se fez presente e os caras, ao invés de cuidarem da própria regata, passaram a marcar a dupla brasileira Scheidt e Prada, então oitavos colocados – e seus eternos rivais nos topos das súmulas do mundo – , como se quisessem garantir o bronze brasileiro. Pois bem, daí… Em português claro: se fuderam.

Não só caíram para sétimo no meio do último popa, como ainda foram ultrapassados no final por Robert e Bruno e terminaram em oitavo, em rubor prateado diante de sua torcida. Bem feito!

Para nós, brasuco-apaixonados de plantão, ficou aquela frustraçãozinha pelo bronze. Para Robert e Bruno também. Mas eles não precisam provar nada a ninguém, velejaram muito e mesmo na manhã da disputa, já se mostravam satisfeitíssimos com a possivelmente vindoura prata. Não rolou! Caiu uma posição. Paciência… Agora, tenho certeza que ver o triunfo dos amigos suecos sobre os ingleses foi até um alento final.

Voltando o filme… A briga entre brasileiros e britânicos começou já na largada, com os dois muito próximos pelo meio da linha e seguindo pelo lado esquerdo da raia. Os suecos optaram pelo lado direito e assumiram a liderança da flotilha. O britânicos arremeteram primeiro e ainda se salvaram, cruzando em quinto na primeira boia. Os brasileiros montaram na oitava colocação.

Scheidt e Prada subiram para quinto no gate de popa, coladinhos nos súditos de Elizabeth, em quarto. Nas quatro pernas seguintes os brasileiros chegaram a cair para a nona colocação e foram subindo até o sétimo lugar final. O que aconteceu com Percy e Simpson você já leu lá em cima.

Mas a despeito do que tenha rolado neste capítulo de ontem, a novela de sucesso que é a vida esportiva de Robert Scheidt foi acrescida de atributos dignos apenas dos maiores de todos. Com a quinta medalha consecutiva no peito, Robertão iguala o feito de Torben em número de triunfos e até o supera em eficiência, já que Turbina, com seis participações olímpicas, passou em branco em Barcelona 1992 e Robert está 100% até agora.

“Estou muito honrado. São cinco medalhas em cinco Olimpíadas Algo muito difícil de se fazer quando se pensa em quanto tempo isto leva. Ainda não penso em parar e quero tentar mais uma medalha no Rio de Janeiro”, disse Scheidt.
Que venha a (e à) Guanabara!!

Outro que entrou com o pé direito no panteão olímpico e também igualou Torben (igualar a um deus, né?) foi o inglês Ben Ainslie. A história de seu triunfo na Inglaterra natal é digna de outro e-mail. Seu quarto ouro consecutivo, a quinta medalha também consecutiva em cinco jogos (prata na estreia, em 1996), unificou tudo e o colocou acima até da lenda-viva  Paul Elvström que Torben, com a humildade dos verdadeiramente grandes, sempre reputou como o maior de todos os olímpicos, de todos os tempos, por possuir quatro ouros consecutivos (1948, 1952, 1956 e 1960).

Só que Ben Ainslie ainda possui a quinta medalha, a prata e isso o torna maior ainda. E ele o fez em casa e pavimentou sua estrada dourada em incrível manobra na 10ª regata da série, quando, escancarado na frente, mas com o dinamarquês em segundo, atrasou sua velejada no último popa, colocou o holandês entre os dois barcos e foi para a Medal Race tendo que apenas chegar à frente de Høgh-Christensen que parecia imbatível no começo da competição. De outra feita, bastava ao holandês seguí-lo na medal. Coisa de match-racer com requintes de genialidade (e alguma crueldade).

O episódio de sua marcação “anti-desportiva” contra Scheidt em Sydney, o episódio do safanão na imprensa, em Perth, em dezembro passado, não devem nublar nossa visão. Este cara é  agora “o cara” da Vela e também do desporto olímpico da humanidade.

Bem, é isso. Hoje nas raias de Weymouth  não havia brasucas, mas o match race feminino, o 49er e o 470 masculino tiveram regatas. As Medal Races dos laseres também foram corridas e a estrelinha Annalise Murphy, da Irlanda, acabou fora do pódio, em 4º lugar. Tadinha! Foi comovente ver o choro sincero de sua mãe, da torcida e até da comentarista da BBC, a bicampeã olímpica Shirley Robertson.

Com o 5º lugar na Medal Race hoje, a irladesinha acabou em 4º geral com 44 pontos depois do começo arrasador com 4 vitórias nas quatro primeiras provas. A chinesa  Lijia Xu, sobrou na Medal hoje e garantiu merecido ouro na Laser Radial depois do bronze na sua terra natal em 2008. A holandesa Marit Bouwmeester  velejou com muita garra também e garantiu o 2º hoje e a prata. A belga  Evi Van Acker chegou a estar em último, mas se recuperou para chegar em 3º e garantir o bronze sobre Murphy (IRL), que visivelmente tinha problemas nos popas.

Gintare Scheidt, a esposa da lenda, terminou a medal em 7º e a olimpíada em sexto geral. Como você sabe, Adriana Kostiw não foi para a regata final e finalizou sua participação em 25º de 41 barcos.

No Laser Standard, Simon Groteluschen , da Alemanha, venceu a Medal Race, mas o australiano Tom Slingsby que levou o ouro. Pavlos Kontides, de Chipre ficou com a prata e Rasmus Myrgren, da Suécia, levou o bronze. Bruno Fontes, com o 13º inglês, não estava na regata final. Amanhã, voltam as provas de 470 Feminino onde as superbrasucas, Fernandinha e Ana, estão em quinto geral. Fique ligado!!

Fui!!

 

 

um comentário Comente
  1. Reblogged this on crconsultoria.

    06/08/2012

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