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Matheus Dellagnelo lidera o Brasileiro de Laser Radial

Na foto de Ricardinho Pedebos a largada da 5ª regata no Guaíba.

Na foto de Ricardinho Pedebos a largada da 5ª regata no Guaíba.

No feminino Fernanda Decnop continua em primeiro lugar. Campeonato encerra na terça-feira.

O velejador catarinense Matheus Dellagnelo consolida sua liderança no Campeonato Brasileiro da classe Laser Radial. Ele abriu uma diferença de 13 pontos para o segundo colocado, o carioca Pedro Castro, após a disputa de seis regatas que iniciaram na sexta-feira no Veleiros do Sul. Em terceiro está outro catarinense, Henrique Back. O gaúcho melhor classificado é Phillip Grochtmann que ocupa o sétimo lugar.Matheus chegou na segunda colocação e em primeiro nas duas regatas realizadas neste domingo no rio Guaíba.

“O Henrique abriu uma boa diferença na minha frente na primeira regata e não consegui buscar ele. Perdi o tempo da rajada. Mas na regata seguinte velejei bem, principalmente nas pernas de través”, disse Matheus.

A carioca Fernanda Decnop lidera no feminino e agora é seguida de perto pela paulista Adriana Kostiw, que representou o Brasil na Olimpíada de Londres no ano passado na Laser Radial. Mesmo se mantendo na frente da classificação das mulheres, Decnop não saiu satisfeita da água. “Foi um dia ruim, não consegui velejar como eu desejava, principalmente na hora das largadas”, lamentou. Os competidores tiveram hoje o primeiro descarte do pior resultado até agora.

As regatas largaram hoje no horário, 13 horas, com vento de direção sul e intensidade de 36 km/h. O Brasileiro de Laser Radial continua amanhã partir das 13 horas no Veleiros do Sul. A final da competição será na terça-feira (29). Participam 68 velejadores da Argentina e de nove estados do Brasil.

Classificação provisória – 6 regatas

Masculino
1º – Matheus Livramento Dellagnelo (SC) 6
2º – Pedro Matos Castro (RJ) 19
3º – Henrique de Vasconcellos Back (SC) 20
4º – Alexander Elstrodt (SP) 28
5º – João Pedro de Oliveira (RJ) 29

Classificação provisória – 6 regatas

Feminino
1º – Fernanda Decnop (RJ) 69
2º – Adriana Kostiw (SP) 72
3º – Lucia Falasca (ARG) 62
4º – Odile Ginaid (ES) 135
5º – Maria Cristina Boabaid (SC) 140

Da assessoria

Leonardo Lombardi e Victor Sabino são campeões brasileiros jr de Snipe. Nicholas Grael e JP Moreira são vices.

Gurizada sinistra

Gurizada sinistra em ação! Leo Lombardi e Victor Sabino vencem o Brasileiro Jr. de Snipe no Rio. Parabéns à dupla!

Terminou neste domingo no Rio de Janeiro o Brasileiro Jr da classe Snipe. O evento reuniu 30 duplas em três dias de competição. Apesar dos ventos fracos, foi possível realizar as duas regatas programadas para o dia. Depois de cinco regatas os campeões foram Leonardo Lombardi e Victor Sabino. O vice-campeonato ficou com Nicholas Grael e João Pedro Moreira, seguidos por João Bulhões e Gabriel Borges.

Os 11 primeiros colocados garantiram vaga para o Mundial, que também será disputado no Rio de Janeiro, em setembro.

A partir desta segunda-feira começam as disputas do Brasileiro da classe. Mais de 80 barcos já confirmaram a participação no evento, que segue até o próximo sábado. A sempre animada turma da narceja!

François Gabart se torna, ao mesmo tempo, o mais jovem e o mais rápido a vencer a Vendée Globe.

François Gabart, 29 anos, leva o seu Open 60 Macif à linha de chegada em Le Sables D'Olonne. Esse é o cara!!

François Gabart, 29 anos, leva o seu Open 60 Macif à linha de chegada em Le Sables D’Olonne. Esse é o cara!!

Bom dia querido amigo e queridíssima amiga, neste arremedo de retorno resumístico no domingão que consterna o Brasil com a tragédia de Santa Maria, eis que os oceanos, sempre eles, nos dão alguma alegria.

Hoje, precisamente às 14 horas 18 minutos e 40 segundos GMT, o francês François Gabart cruzou, em Les Sables D’Olonne a linha de chegada dela que é sem dúvida a maior regata de oceano de toda a humanidade: a Vendée Globe.

Gabart, que é pupilo de ninguém menos que Michel Desjoyeaux, único bicampeão da prova e mundialmente conhecido pelo apelido de “le professeur” por motivos óbvios, superou o mestre. Nada novo. Desde o mito de Prometeu, historinha da velha Teogonia de Hesíodo, revisitada por Mary Shelley e seu Frankenstein na Inglaterra pré-vitoriana, que as criaturas “sacaneam” direto os criadores.

Neste circunavegante episódio, no caso, Gabart vai bater o recorde do professor, que em 2009 foi bi com incríveis 84 dias ao redor do globo. Desta feita, o aluno baixou a juliovérnica marca de 80 dias e com 78 dias 2 horas 16 minutos e 40 segundos (28.600 milhas navegas, 15,2 nós de média!!) se tornou o mais rápido de todos os tempos. E também o mais jovem, já que seus 29 anos somam um aninho a menos do que Alain Gautier tinha em 1993 quando venceu o desafio.

Na cola de Gabart e seu Open 60, Macif, projetado pelo “consórcio” VPLP/Verdier, vem outro barcos saído das mesmas pranchetas, o Banque Populaire, com o também segundo colocado na última regata, Armel Le Cléach. O fato é que depois que o mestre dos magos Jean Marie Finot mostrou ao mundo o caminho das pedras – ou das ondas! – , o conceito Open se provou o mais eficiente nos oceanos. E hoje quem faz os melhores barcos deste tipo são os também franceses Marc Van Peteghem, Vincent Lauriot-Prévost e Guillaume Verdier. Feras!!

No momento da chegada de Gabart, a vila da regata – que na largada já havia batido o recorde de todos os tempos de público presento em qualquer evento de Vela no planeta: mais de um milhão(!?) de pessoas –, vibrou com intensidade proporcional ao feito do cara. Emocionante!

E com menos de 60 milhas atrás, Le Cléac’h ainda pode ser o vice (no caso, bi-vice, né?) mais próximo do vencedor. E ainda leva o crédito por velejar abaixo da marca de 80 dias também. Heróis com H maiúsculo esses caras!

Mas a Vendée é muito mais que apenas velocidade, barcos de tecnologia aeroespacial e velejadores intrépidos. A regata representa o que ainda há de melhor em termos de maritimidade e da cultura do mar (que tanta falta faz no mundo contemporâneo). A esse respeito, nosso querido amigo de Floripa, Tarcísio Mattos, entusiasta da classe C30, escreveu um belo texto ontem que reproduzo aqui.

“Quem veleja sonha. Quem corre regatas sonha um pouco mais. Alguns de meus sonhos me levam a correr com estes caras aí do texto abaixo:

Na manhã do dia 22 deste mês, Jean-Pierre Dick perdeu a quilha de seu Imoca 60 a meio caminho entre o equador e o arquipélago dos Açores, quando velejava para subir no pódio como terceiro colocado na Vendée Globe 2012/2013.

Mantinha uma segura vantagem sobre o inglês Alex Thomson, que vinha babando na gravata, na tentativa de se tornar o primeiro britânico a levantar um troféu na mais fantástica regata do calendário mundial. Jean-Pierre baixou os estabilizadores, colocou o quarto rizo na grande, vergou a menor das bujas e segue se equilibrando nas ondas do atlântico norte, ainda em terceiro lugar.

É que Thomson se recusa a ultrapassá-lo antes de ter certeza que o companheiro, oponente, adversário e, principalmente, amigo, se veja em condições seguras de alcançar a costa europeia. Caso alguma coisa de ruim aconteça com o barco do francês, o “guarda costas” jogará fora a possibilidade de terminar pela primeira vez uma regata de volta ao mundo, em solitário, sem escalas e sem auxílio, para salvar o companheiro de, até agora, 77 dias de regata.

Um mês antes, em 22 de dezembro, Bernard Stamm mordia a popa de Alex Thomson quando foi obrigado a se proteger à sombra de uma micro e gelada ilha ao sul da Nova Zelândia para reparar os hidrogeradores de seu barco. Os fortes ventos e as ondas gigantescas do pacífico Sul o obrigaram a mudar de porto. Navegou 350 milhas para o norte e jogou ferro numa baía no Sul do país dos velejadores. Cansado depois de quatro dias de batalha contra o defeito do barco, o vento e o mar, dormiu.

Sem que ele visse, um navio de pesquisas russo escolheu o mesmo porto para se defender do tempo. Acordou com barulho no convés e sobre seu barco estava um marinheiro do navio lutando para evitar que o veleiro se chocasse contra o barco recém-chegado. A Comissão de Protestos entendeu que a atitude marinheira foi auxílio externo e desclassificou Stamm. Mas o melhor estava por vir: a dama e todos os cavalheiros inscritos na Vendée Globe subscreveram uma solicitação para que os juízes reabrissem o caso, argumentando que o Comandante do navio científico poderia apresentar um fato novo que viesse a resultar na devolução de Stamm à competição.

Vale salientar que neste momento, o suíço ocupava a sétima posição, com muitos na sua esteira. E a CP fez isto. Solicitou os argumentos, mas, infelizmente, o encontro noturno com um objeto flutuante não identificado retirou-o definitivamente da regata. Antes de receber auxílio, já no Atlântico, manteve-se por cinco dias e cinco noites no leme, sem dormir, pois não havia mais como recarregar as baterias do barco para mover o piloto automático, a quilha pivotante, os eletrônicos. “Cruzou o Horn com o leme na mão e as escotas nos dentes”, recebeu óleo diesel para os geradores e informou seu terceiro abandono em três participações na Vendée.

Tanguy De Lamotte nunca foi ameaça para qualquer competidor deste Vendée-Globe. No início, ainda com os 20 inscritos disputando a prova, lutava para se manter entre os 15 melhores. Hoje, em décimo primeiro e penúltimo lugar, enfrenta um contravento ao sul de Salvador, quase quatro mil milhas na cola do primeiro colocado. Mas é o mais feliz. Esta manhã conseguiu juntar dinheiro para custear a cirurgia cardíaca da oitava criança desde que cruzou a linha de largada, em 23 de novembro do ano passado.

Ele corre apoiado e apoiando uma fundação que recolhe fundos para crianças pobres de países pobres e que sofrem de problemas graves no coração. Cada clique dado em seu site vale um Euro. Já são mais de 100 mil cliques. Clica lá: http://www.vendeeglobe.org/en/skipper/51/tanguy-de-lamotte.html

Pensei em escrever este texto para enaltecer o verdadeiro espírito da competição à vela, mas acho que não precisa…”.

Certíssimo, Tarcísio Mattos! Eu assino embaixo! Viva a Vela, viva a vida, viva o oceano que sempre nos ensina!!

Murillo Novaes

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