Pular para o conteúdo

Betão e Igor Bely já passam da metade do caminho da travessia do Atlântico

Em viagem de 4.000 milhas náuticas pelo Oceano Atlântico, velejadores enfrentam as dificuldades de cruzar o mar em barco sem cabine e conforto zero

O Picolé velejando de balão no Atlântico

O Picolé velejando de balão no Atlântico

São Paulo (SP) – Já se foram as 2.000 milhas náuticas e a dupla Beto Pandiani e Igor Bely faz contagem regressiva para chegar ao Brasil, mais precisamente em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. A metade da distância já foi percorrida. A Travessia do Atlântico, que começou há 15 dias, na Cidade do Cabo, na África do Sul, é um dos maiores desafios da carreira dos velejadores, que cruzam o Oceano Atlântico a bordo de um catamarã sem cabine e conforto zero. A previsão de chegada é para o dia 20 de abril, mas a falta de ventos pode até mudar o prognóstico.

Apesar de estar no meio do Oceano Atlântico, a aventura dos velejadores pode ser acompanhada em tempo real pelo site travessiadoatlantico.tumblr.com. “Passamos da metade do caminho e isso, psicologicamente, é muito positivo. Parece que estamos aqui há meses. O dia é vagaroso, passamos, muitas vezes, horas sem falar nada um com o outro. Cada um no seu mundo”, conta Beto Pandiani.

Com menos vento, Igor Bely continuou a fazer pequenos reparos no veleiro de 24 pés (8 metros), mas o desempenho do modelo híbrido é elogiado pela dupla. A proa do veleiro, ou seja, a parte da frente, está apontada para o Espírito Santo e a ideia é acertar o rumo aos poucos. “A viagem está demorando mais que o esperado. Falta vento, muito vento. Mas agora resta menos da metade para chegar ao nosso destino final. A previsão para os próximos dias é boa, pelo menos”, relatou Igor Bely.

Depois de tanto tempo no mar, os velejadores sentem um pouco a falta de coisas básicas do dia a dia, como caminhar na rua, pegar ônibus e ir almoçar em restaurante. Na Travessia do Atlântico são só os dois velejadores, o barco e a imensidão do mar. “Quero ver a cor verde na natureza. Não há nada por aqui que possa substituir a emoção de ver uma floresta. Já cheguei outras vezes em terra e sei como é a sensação de ver construções, gente andando, montanhas e até carros. Dá vontade de descer do barco e sair correndo, dar risada, conversar com as pessoas. Este mundo aqui é cercado de água e pensamentos. Sente-se tudo, ou melhor, percebe-se o que se sente”, disse Beto Pandiani.

“Vejo tantos amigos plugados 24 horas por dia na internet, na TV ou no trabalho, absorvidos por um tipo de informação muito rasa que não abre possibilidades para sonhar, ou mesmo para achar graça nas coisas pequenas. Se refletirmos, nossas vidas são povoadas, na maior parte do tempo, por coisas pequenas, e não por coisas grandiosas. Ficamos esperando que aconteça algo arrebatador na nossa vida e que isso possa nos trazer felicidade. Na minha maneira de ver, a felicidade já está em volta de nós e dentro também, basta apenas reconhecê-la,” acrescentou Pandiani.

Segurança – Beto Pandiani e Igor Bely se preocupam com a segurança da travessia desde a concepção do projeto, em 2011. Mesmo com todos os equipamentos necessários, a dupla sempre está atenta a todos os detalhes no mar. Como Betão sempre relata, a postura em relação às viagens é a mesma: “Não sei muito, vim para cá aprender e por isso me sinto seguro, pois estou conectado o tempo todo com a segurança”.

Como não é possível enxergar nada à noite e, na maior parte do tempo, os dois estão sozinhos no oceano, todo cuidado é pouco. “O maior risco na nossa viagem é um de nós cair à noite no mar. Por isso, sempre, antes de sair da barraca que fica na asa, faço mentalmente os movimentos que tenho que executar e, depois de pensar bem, saio da toca. Desenvolvi uma maneira segura de fazer isso e sei da responsabilidade que tenho com a minha vida. O Igor também é extremamente cauteloso. Os acidentes de gente que caiu no mar, na maior parte das vezes, acontece quando a pessoa relaxa e sente que tem muita autoconfiança. É aí que mora o perigo”, revelou Betão Pandiani.

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.

Da ZDL

Não há comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: