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Relembrando a Regata Santos – Rio – por Átila Bohm

Veleiro Ondina

Veleiro Ondina

 

No dia 26 de outubro será dada a largada da 63ª regata Santos – Rio. Uma das competições mais tradicionais do calendário oceânico nacional, o evento este ano busca reviver seus tempos áureos, com pelo menos 20 barcos na água. Assim como antigamente, a largada volta a ser dada no sábado para que na sexta-feira os velejadores possam curtir um jantar no Iate Clube de Santos. Ainda como nos velhos tempos, o percurso volta a ser por fora de Ilhabela. As inscrições podem ser feitas na sede do ICS até às 10h do dia 26 e custam R$ 60,00 por tripulante. A largada está prevista para as 12h.

 

Leia abaixo o relato de Átila Bohm, relembrando a primeira edição da regata:

 

Na época da primeira Regata Santos-Rio construir um veleiro 40′ demandava dedicação do armador, tanto no aspecto técnico
como tecnológico. Vou explicar melhor: não existiam indústrias ou lojas especializadas no setor náutico brasileiro, adquirir peças
como manilhas, cabos e moitões era uma tarefa complexa. Normalmente o proprietário do barco, pessoalmente, elaborava as
peças, fazia o modelo em madeira e mandavam fundir em bronze. Era possível importar partes do barco, como foram várias
mastreações compradas no Estaleiro Nevins City Island USA, outro aspecto importante era o prazo de importação dependiam
exclusivamente do transporte marítimo.

Neste cenário um grupo de brasileiros liderados por José Candido Pimentel Duarte encomendou aos irmãos Olin e Roderick
Stephens, famosos como projetistas e armador de iates de competição do estúdio Sparkman & Stephens, o desenho de um 40 pés
para produção em série, denominada CLASSE BRASIL.

No verão de 1945, Jose Candido Pimentel Duarte velejou com o VENDAVAL até Florianópolis para contratar o Estaleiro Arataca da
empresa de navegação e comércio catarinense KARL HOEPKE. O objetivo era construir dez CLASSE BRASIL, cujos equipamentos
como mastreação, catracas e ferragens e motores, foram comprados antecipadamente.

Série ATATACA:
1949 – BL 10 ARACATI foi para a água em setembro de 1949, seguido pelo BL 12 CAIRU II e BL 11 MAJOY.
1951 – BL 15 PROCELÁRIA e o BL 14 SIMBAD.
1952 – BL 16 MISTRAL e o BL 18 TURUNA.
1954 – O oitavo e último da série Arataca o BL 17 CANGACEIRO.

Em 1947 iniciou-se a construção de três CLASSE BRASIL no Iate Clube do Rio de Janeiro o ONDINA, o GAIVINIA concluídos em 1948
e o terceiro não foi concluído.

Em 1960 três Classe Brasil foram construídos em Salvador-BA o VOODOO, o ZUMBI e o MALAGÔ.
O Classe Brasil foi um sucesso em termos de classe e desempenho. Na Regata BsAs – Rio 1953 venceu o CAUIRU II em 2º o
MISTRAL, em 4º o SIMBAD, em 5º o MAJOY e em 9º o ONDINA fazendo a melhor performance brasileira na competição até 2011.
Na Regata Santos – Rio tivemos o domínio dos CLASSE BRASIL da 1º regata, vencida pelo ONDINA até 1964 com a vitória do
PROCELÁRIA.

1ª REGATA SANTOS RIO
Em 1951 após duas Regatas Buenos Aires – Rio realizadas com sucesso em 1947 e 1950, a conquista pelo Brasil da medalha ouro
na Classe STAR conquistada por Roberto M. Bueno e prata na Classe SNIPE conquistada por Jean Robert Maligo nos jogos Pan
Americanos de 1951, o Iate Clube de Santos em construção e muito entusiasmo entre os iatistas brasileiros foi realizada a 1ª
Regata Santos – Rio. Inscreveram-se na competição 13 barcos brasileiros e 1 argentino.

O veleiro argentino BAMBINO de Horácio V. Pereda foi embarcado no navio a vapor NAVEIRO em Buenos Aires e desembarcou em
Santos especialmente para participar da primeira Santos-Rio. O BAMBINO Classe Cadete 30′, desenho de German Frers de 1950. O
BAMBINO foi o primeiro de uma série de 20 barcos, foi um competidor de alto nível para a Regata Santos – Rio, geralmente com
vento fraco. O Classe Cadete tinha deslocamento de 2.200 quilos, o que era considerado leve para um barco de 30 pés.

LARGADA DA 1ª REGATA SANTOS – RIO. Dia 18 de outubro de 1951, pela manhã, soprava um Sudoeste forte. À tarde, antes da largada, o vento amainou por duas horas e a área da largada ficou totalmente encalmada. Nesta época lacravam o eixo do hélice antes da regata. Todos os concorrentes foram rebocados para a linha de largada, o VENDAVAL que deslocava 35 toneladas teve grande dificuldade de ser rebocado para a linha de partida, várias vezes o cabo de reboque arrebentou, assim atrasando sua largada em 2 horas.

Às 17h foi dado tiro de largada. O ABAITARÉ II e o BAMBINO estavam no grupo que primeiro alcançou o vento que soprava ao
largo da Baía de Santos.
ÀAs 19 h com vento Sul forte o ABAITARÉ II deixou a Ilha da Moela por bombordo e assumiu a liderança da prova. O vento
aumentou de intensidade baixaram a Vela Grande e navegaram só com a Buja. O VENDAVAL fez a linha de larga com duas horas
de atraso.

Às 22 h com vento Sul forte o ABAITARÉ II esta no través da Ilha de Alcatrazes. A distância entre a Ponta da Praia, em Santos, até a
Ilha de Alcatrazes é aproximadamente 38 milhas, até este ponto o ABAITARÉ II fez a média de velocidade de 9,5 nós. O VENDAVAL
navegava com todas as velas. Segundo o Fernando Pimentel Duarte, comandante do VENDAVAL, o vento soprava acima de 30 nós
com muita chuva e baixa visibilidade.

Dia 19 de outubro
00:30 h – ABAITARÉ II no través da Ponta do Boi, Ilhabela. Nesta altura a média de velocidade caiu para 8,5 nós.
04:00 h – BISCAYA ao través da Ponta do Boi, Ilhabela, sua média de velocidade era de 6 nós.
06:00 h – ABAITARÉ II o vento continua forte de Sul, com chuva, a tripulação não tinha mais roupas secas. Navegava só com a Buja.
08:00 h – ABAITARÉ II avistou o SIRROCO pela popa, içou a segunda Buja.
16:00 h – ABAITARÉ II a meio caminho entre Ponta da Guaratiba e as Ilhas Tijucas, navegava por terra, o vento começou a rondar
para Leste, foi necessário virar de bordo.
17:10 h – VENDAVAL consagra-se Fita Azul da 1ª Regata Santos Rio. Fazendo o percurso em 24 horas, tempo de regata que só foi
superado pelo WA WA TOO III, em 1974.
19:01 h – SIROCCO chega em 2º lugar no tempo real, comandado por Walter Von Hütschler experiente regatista da Classe Star, foi
campeão mundial da classe Star em 1938 e 1939.
20:00 h – O vento rondou para o Leste. O ABAITARÉ II foi obrigado a fazer um rizo na Vela Grande e neste momento a adriça
enroscou na cruzeta ficando sem Vela Grande entre as Ilhas Tijuca e as Ilhas Cagarras.
21:23 h – ONDINA terceiro a cruzar a linha de chegada consagrando-se Campeão da 1ª Regata Santos – Rio no tempo corrigido.
21:50 h – MAJOY e CAIRU II cruzam a linha de chagada praticamente juntos.
23:55 h – ABAITARÉ II cruza a linha de chegada.
Dia 20 de outubro – vento Leste.
01:44 h – BAMBINO cruza a linha de chegada seguido do ARACATY, BISCAYA, VENTO PERSO e ALDEBARAN.
Dia 21 de outubro às 02:20 h o HIRONDELLE cruza a linha de chegada encerrado a 1ª Regata Santos – Rio.

4 Comentários Comente
  1. Jadi serra #

    Vc esqueceu do Sagres v do Cmte mentor Muniz e do Cmte João zarif que tinha classe Brasil abs

    27/08/2013
  2. Victor Hugo Figari #

    Aquele veleiro BAMBINO esta abandonado a sua sorte no porto de Buzios de Montevideo esta a venda por U$S 4.000.
    Triste fim para um campeão.

    03/11/2013
  3. George Sette Muniz #

    O nome do veleiro não é Aldebran e sim Aldebaran. Muito bom o artigo. Gostei.
    Agradeço ao Jadi Serra a lembrança meu pai Mentor, mas ele ainda não tinha o
    Sagres V. Comprou do Sr. Geyer (Cairu II) em 1960.
    Bons ventos,

    15/01/2015
    • murillonovaes #

      Vou corrigir, George! Obrigado!!

      19/01/2015

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