Pular para o conteúdo

Resumito da Copa América. Começou!! New Zealand 2 a 0!

E ontem, na baía do santo Francisco, rolou até match race de verdade.

E ontem, na baía do santo Francisco, rolou até match race de verdade.

Querido amigo e mais que querida amiga, eis que novamente presente no encalorado covil do Posto 6 depois de um bem merecido périplo de volta ao lar cabo-friense, vamos atualizando-o, ou atualizando-a, com o que rolou nas frias águas do verão São Franciscano: a disputa das duas primeiras regatas da 34ª Copa América (ou America’s Cup, para os anglófilos).

Antes de partir para a dureza dos fatos, reproduzo abaixo meu editorial da semana passada do último “Almanáutica”, do nosso querido Ricardo Amatucci, o melhor jornal de vela já visto neste país (há outro?). Apenas para situar historicamente as coisas… Se preferir, pule direto para as regatas. E, claro, na RMC – Rede Manza de Comunicação você sabe de tudo (www.murillonovaes.com, Face, Twitter, Linkedin, etc.).

 

De volta a América – Pois é, querido amigo e dileto leitor deste periódico de muita alma. Alma náutica, a melhor de todas! Eis que voltou à terra ianque a copa da escuna América, a nau dos norte-americanos que cruzou o Atlântico para derrotar os ingleses em plena ilha de Wight em 1851, sob o testemunho ocular da própria rainha Vitória e fundou assim a mais longeva disputa esportiva da nossa modernidade.

 

A America’s Cup, em inglês, ficou no Iate Clube de Nova York por 132 anos, quando, em 1983, por questões de uma inovadora quilha alada, foi surrupiada por Alan Bond e sua turma de cangurus de Fremantle, oeste da Austrália. E para Nova York mesmo jamais voltou. Embora seja em um tribunal de Manhattan onde acontece, até hoje, infelizmente, boa parte das disputas mais sangrentas deste esporte dito de homens nobres. Enfim…

Voltemos à copa. Em duas ocasiões a famosa Taça dos Cem Guinéus, doada pela própria rainha e apelidada carinhosamente de Auld Mug, fez rumo novamente à América do Norte. Em 1988, em São Diego, na Califórnia, com o herói Dennis Conner, se tornando o Homem do Ano da Revista Time, após reconquistar dos australianos a taça que ele mesmo havia perdido, sob a flâmula do NYYC, anos antes. E o que se viu foi uma disputa esquisita entre um super catamarã de vela rígida (lembra algo?) e um monstrengo neozelandês de 90 pés, depois de árdua e ridícula batalha judicial.

Bem, o velho filósofo alemão Carlos Marx (hoje devidamente confinado aos acadêmicos e detonado pelos ignorantes de plantão), já dizia no seu genial “18 Brumário de Luís Bonaparte”: a história sempre se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Curiosamente um axioma perfeito para traduzir esta 34ª Copa América, a se realizar nas águas verdes e frias da baía de São Francisco, neste 2013 de nosso senhor.

Depois de uma batalha judicial ridiculamente longa e encarniçada entre os meninos mimados Larry Ellison (Oracle) e Ernesto Bertarelli (Alinghi), aconteceu nas águas de Valência, sob ordens da corte de Nova York, um “Deed of Gift Match”. Ou seja o desafio segundo as regras gerais impostas em 1888, pelo último tripulante vivo da escuna America na escritura de doação da copa que fez ao New York Yacht Club e que impõe as normas para casos em que defensor e desafiante não cheguem a um acordo.

Deu Oracle com seu trimarã que trazia como grande inovação tecnológica a vela-asa rígida, que se provou mais eficiente que o catamarã não menos “aeroespacial” dos suíços da equipe Alinghi. Elisson, o quinto homem mais rico deste mundo, declarou que faria nas águas de casa, no Golden Gate Yacht Club, a melhor de todas as copas. Deu ruim!

Com a ambição sempre acima da medida, os custos foram crescendo, os times interessados minguando, o defensor (como sempre) legislando despudoradamente em causa própria e tudo ficou tão estranho que a copa de Ellison só não será um fiasco completo, mesmo com a morte de Andrew Simpson em um acidente bizarro, porque os gigantescos AC72, com suas velas-asa e principalmente com seus fólios de última geração, literalmente voam sobre as águas e produzem imagens de cair o queixo. E não há velejador no planeta que não se espante alegremente quando vê os cats de 72 pés navegando a mais de 40 nós em ventos reais de pouco mais de 20 nós.

Uma Copa Louis Vuitton, a serie dos desafiantes, com apenas três times na disputa, mas só um de verdade: o campeão New Zealand. As já famosas, pelo motivo errado, regatas de um barco só com transmissão ao vivo e tudo mais. Os intermináveis protestos junto ao júri internacional e à corte de Nova York. A especulação imobiliária e o uso do dinheiro do contribuinte da cidade de São Francisco para fins nada nobres. Enfim, o enredo de sempre da velha copa acrescido das mazelas contemporâneas de nosso capitalismo em crise, só deixam esta 34ª Copa América com um sabor muito estranho. Tomara que os kiwis vençam e levem para Auckland um outro tipo de filosofia e de disputa. A vela mundial, o desporto internacional e a boa energia do planeta merecem!

No mais, vamos curtir os bólidos de dois cascos voando céleres sob a Golden Gate, porque realmente são os veleiros mais rápidos e modernos da face da Terra. Um pontinho para Larry… Mas é pouco. Muito pouco!

 

Primeiras regatas – Pois é queridão, e neste pátrio sete de setembro do deus brasileiro, lá nos 17 graus célsius do verão de São Francisco, rolaram as duas primeiras regatas da série de melhor de 17 matchs entre o defensor Oracle e o Team New Zealand (TNZ, doravante). Ventinhos de 15 a 20 nós e muita corrente de maré.

Como ficou comum nos últimos tempos um fator extra-campo (de regatas, no caso), já pintou no pedaço. Devido à mão peluda dos americanos, que fizeram modificações ilegais nos seus AC45, ainda à época da ACWS – America’s Cup World Series, o caras – Vergonha! – já entraram em águas pátrias com dois pontos de desvantagem para os kiwis (você sabe que kiwis são os neozelandeses, né?).

E já tomaram mais dois logo na lata para ficarem espertos. Maldade… O fato é que ontem, depois de anos de ansiedade e espera finalmente as usinas mais eficientes do planeta de transformar ar em movimento (e velocidade), os incríveis catamarãs de 72 pés AC72, voaram com suas velas-asa e super fólios nas vizinhanças da ponte Golden Gate e da ilha de Alcatraz. Foi bonito, ó pá!!

Surpreendentemente, o que se viu na primeira prova do dia foi um match de verdade. Na pré-largada, com suas regras modificadas (um barco entra no box de largada 10 segundos antes do outro) se viu uma aparente agressividade de James Spithill (o Jaime Cospemontanhas), no Oracle, contra um controle excepcional de tudo do lado de Dean Barker (Diano Gritador) e seus compatriotas. Deu TNZ!

E como você já sabe, quem ganha a largada ganha o match, certo? Errado! Depois de uma montagem espetacular na primeira boia com os dois gigantes voadores a centímetros um do outro, o TNZ mostrou sua proverbial eficiência nas manobras e abriu no primeiro popa. Os já famosos jaibes sobre os fólios em que os barcos mudam de bordo sem jamais descer “dos tamancos” são lindos. Se grudarmos os olhos nos marcadores vamos ver que a menor velocidade durante a manobra, em ambos os times, não baixa dos 20 nós!!?

Na montagem da segunda boia, a primeira da perna de contravento, já que os caras largam no través e fazem a primeira perna no popa (quer dizer, teoricamente, porque o vento aparente é sempre na cara com 40 nós de velocidade, né?), os kiwis vacilaram deixaram os dois cascos na água, o que aumenta consideravelmente o arrasto. E os americanos com mais veloc ultrapassaram depois de outra situação de aproximação máxima, o que é sempre muito maneiro. Só que…

Bem, ainda no primeiro contravento com a correntes das marés desempenhando papel fundamental na raia (Guanabara idem) e favorecendo o lado esquerdo, James Spithill e seu tático Tom Slingsby deram uma vacilada em proteger sua posição, permitiram que o TNZ esticasse um bordo para a direita – o que certamente parecia errado, no momento – mas os kiwis, com mais velocidade, voltaram com tudo para esquerda, cambaram melhor e cruzaram na frente. Daí em diante foi aquela parada militar com manobras perfeitas do TNZ e o Oracle caindo, caindo. Dos 4 segundos de delta na primeira boia, na linha de chegada deu 36 segundos de diferença.

Com a super transmissão de TV dando show, temos aquelas estatísticas de tudo. Quem teve a maior velocidade pontual? TNZ. Quem teve a maior velocidade média, mesmo dando dois jaibes e duas cambadas a mais? TNZ. Explica tudo. Naquela famosa pirâmide do manual de regatas está lá: primeiro velocidade, depois manobras e só então tática. Os kiwis tinha velocidade muito parecida, mas maior, manobras impecáveis e a tática perfeita de Ray Davies. Um a zero!!

A segunda regata trazia o Oracle entrando na posição boa no box e James Spithill tentou impor uma penalidade aos kiwis. Mas por questão de milímetros (mesmo!!) não houve a forçada colisão dos dois barcos e os juízes não deram nada. Com uma pequena delaminação na vela grande, a asa, as velocidades do Oracle foram um pouquinho menores e talvez isso até tenha atrapalhado minimamente. Mas novamente o TNZ largou a barlavento e caprichando muito montou a primeira boia dois segundos à frente. Depois, foi o mesmo. Manobras e mais manobras perfeitas e uma delta de 52 segundos no final.

Hoje tem mais duas (depois: terça, quinta, sábado e domingo) e se a carruagem andar como parece, a orla de Auckland vai ser valorizada nos próximos anos. Bom investimento! Quem viver verá!!

 

Race 1 Performance Data

Course: 5 Legs/9.71 nautical miles

Elapsed Time: ETNZ – 23:30, OTUSA – 24:06

Delta: ETNZ +:36

Total distance sailed: ETNZ – 11.7 NM, OTUSA – 11.4 NM

Average Speed: ETNZ – 30.07 knots, OTUSA – 28.58 knots

Top Speed: ETNZ – 43.54 knots, OTUSA – 42.51 knots

Windspeed: Average – 16 knots, Peak – 21 knots

 

Race 2 Performance Data

Course: 5 Legs/10.11 nautical miles

Elapsed Time: ETNZ – 22:46, OTUSA – 23:38

Delta: ETNZ +:52

Total distance sailed: ETNZ – 11.3 NM, OTUSA – 11.3 NM

Average Speed: ETNZ – 30.12 knots, OTUSA – 28.92 knots

Top Speed: ETNZ – 46 knots, OTUSA – 42.87 knots

Windspeed: Average – 16.6 knots, Peak – 19.5 knots

 

Fui!!

Murillo Novaes
Não há comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: