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Posts com Tag ‘Beto Pandiani’

Beto Pandiani faz palestra em SP

 

Quem estiver de bobeira em São Paulo nesta segunda-feira e quiser ocupar a noite com algo interessante, não pode perder a palestra que o velejador Beto Pandiani dará na sede da OAB, no centro. Durante o evento, Betão irá contar um pouco sobre as sete viagens Entre Antártica e Groenlândia e as viagens do Oceano Pacífico e Atlântico. A inscrição é gratuita, mas pede-se a doação de uma lata ou pacote de leite em pó integral.

A OAB fica na praça da Sé, 385, 1º andar. O evento está programado para começar às 19h.

 

Travessia do Atlântico termina em Ilhabela com festa para Beto Pandiani e Igor Bely

Aventura a bordo de um catamarã (barco de dois cascos) sem cabine durou 38 dias e a dupla percorreu mais de 4.000 milhas náuticas (7.400 quilômetros) da Cidade do Cabo, na África do Sul, até o Brasil

Igor e Betão foram recebidos com festa em Ilhabela

Igor e Betão foram recebidos com festa em Ilhabela

Ilhabela (SP) – Às 12h35 deste sábado (27), na sede da escola de vela BL3, em Ilhabela, chegou ao fim uma das mais desgastantes aventuras da carreira do brasileiro Beto Pandiani e do francês Igor Bely. A Travessia do Atlântico a bordo de um catamarã (barco de dois cascos) sem cabine durou 38 dias e a dupla percorreu mais de 4.000 milhas náuticas, o que corresponde a 7.400 quilômetros da Cidade do Cabo, na África do Sul, até o Brasil.

“Foi muito mais difícil psicologicamente do que fisicamente”, logo dizia Beto Pandiani aos amigos quando a embarcação tocou nas areias da Praia da Armação. A recepção aos velejadores foi digna dessa grande expedição com mais de 500 pessoas no local, sem contar as 20 embarcações que escoltaram o Picolé, como foi batizado o barco, desde a Ponta das Canas até a praia da Armação, sede da BL3. Com celulares e máquinas fotográficas em mãos, os fãs da vela oceânica e as crianças registraram o momento na bela tarde de sol e 27 graus do litoral norte paulista.

O trajeto entre os continentes foi marcado pela falta de vento, o que mudou o cronograma da viagem inicialmente previsto para um mês. Desde o início do projeto, em 2011, a dupla alinhou todos os detalhes do barco para encontrar ondas fortes e não quebrar. Numa conta simples, em 70% do caminho a velocidade dos ventos não ajudou a impulsionar a proa do Picolé para a costa brasileira. A ansiedade da chegada, principalmente na última semana, foi, segundo os velejadores, a maior dificuldade da Travessia do Atlântico.

A viagem foi a mais ‘online’ da carreira da dupla. Diários de porto, relatórios, boletins de rádio, fotos e outros detalhes da Travessia do Atlântico eram postados em tempo real nohttp://travessiadoatlantico.tumblr.com/. O sucesso foi tanto que Tumblr registrou 7 mil seguidores durante a expedição.

As redes sociais foram uma ferramenta importante para o sucesso do projeto, que usou o crownfundind, uma espécie de vaquinha virtual, para captar parte do dinheiro necessário. Cerca de 700 pessoas se uniram e colaboraram com R$ 166.568,24, acima da meta estabelecida de R$ 150 mil. O valor foi usado para cobrir despesas com equipamentos, que incluíram GPS, telefones via satélite, dessalinizadores de água, alimentos liofilizados e outros mais. Mas o ‘dinheiro’ não foi o que motivou a dupla e sim as mensagens de carinho e apoio pela internet. Uma delas, em francês, ganhou o prêmio de melhor das milhares: “Chegar ao destino é um desejo, mas navegar é um prazer”, numa tradução literal para o português.

“Eu sentia a energia de todos nos momentos mais difíceis da viagem. Era impossível pensar em desistir com esse carinho, apesar de estarmos quase boiando em alto mar. Os nomes de cada um escritos no barco e no pote a bordo foram nosso combustível”, disse Beto Pandiani. “Conseguimos criar essa interação e quem compartilhou nossos posts, incentivou, participou da vaquinha e divulgou de alguma maneira foi um embaixador da Travessia do Atlântico”.

Com português perfeito, apesar de ser francês e de escrever seus posts em inglês, Igor Bely insistiu na dificuldade enfrentada. Juntos, os parceiros de outras aventuras como a Travessia do Pacífico já passaram mais de 100 dias e quase 30 mil quilômetros em barco aberto e sem conforto. “A primeira e a última semanas foram as mais difíceis dos 38 dias da Travessia do Atlântico. No começo, quando zarpamos da Cidade do Cabo, o mau tempo e o mar bem agitado deram as caras. Tivemos de ser mais concentrados e focados. Na parte final, o cansaço bateu e a ansiedade de chegar logo para colocar o pé na areia e rever os amigos e família era potencializada pela falta de vento”.

Os velejadores tentaram uma parábola no caminho e ficar sempre de proa para o Brasil, mas essa estratégia resultou na passagem por regiões de ventos fortíssimos, principalmente no Cabo da Boa Esperança, água muito fria, tubarões, navios mercantes e ondas gigantes. A rota foi paralela à costa da África do Sul e da Namíbia. A dupla Passou pela Costa dos Esqueletos, que é a porção de terras desérticas do continente. Morbidade e beleza se confundiam. “Em um determinado momento, nos primeiros dias, poupamos o barco por causa do vento forte, ou seja, deixamos sem vela e navegar pelo mastro era suficiente”, relatou Betão Pandiani. Depois desse trecho inicial, os aventureiros chegaram ao ponto mais ‘complicado’ que foi a falta de ventos.

Atrito a bordo? – Nenhum. Cada um conhece o outro e sabia de suas funções no catamarã. “O barco é um ambiente explosivo para criar um atrito entre os tripulantes. Nesse período não houve nenhuma desavença entre nós. Foi um sentimento de companheirismo mútuo. Fazer o veleiro andar é um detalhe instintivo, mas contornar os problemas emocionais não é natural e tivemos que aprender ao longo das expedições”, recordou Beto Pandiani.

“A característica do Igor a bordo é fundamental. Sua bagagem de conhecimento náutico adquirido dentro de um barco, nos ajuda a ter esse resultado. Todos os detalhes e soluções dentro de uma embarcação ele consegue fazer com maestria”.

Sobre as novidades para 2014, Betão quer apenas esperar. “Difícil pensar nas próximas viagens, só sondagens por enquanto. Quando estamos em uma expedição como a do Atlântico, a única intenção concreta é ter energia para chegar ao destino”.

O barco – O Picolé foi aprovado no teste! O barco de 24 pés (oito metros) é feito todo em carbono para suportar condições adversas. O veleiro de dois cascos foi construído no estaleiro alemão Eaglecat, mas foi na Cidade do Cabo que o português Manuel Mendes, dono da marina que recebeu a dupla, ajudou a dar um jeito em pequenos detalhes que poderiam colocar a perder o projeto da Travessia do Atlântico. O modelo foi adaptado às experiências de viagem da dupla e é híbrido, ou seja, não existe outro igual no mundo.

“É difícil chegar um modelo ideal de catamarã. Podemos dizer que não houve quebras e molhou bem menos comparando com os outros barcos. Ficar seco faz a diferença em tanto tempo de viagem. Outro ato aprovado foi que a frente dele, a proa, não enterra na onda”, disse Beto Pandiani. “A cada barulho, batida de onda, a gente ficava atento. Nós sentimos o barco”.

Igor Bely deu seu ponto de vista. “Quando pegava mar de lado, nós ficávamos apreensivos. É uma característica de um catamarã. Esse modelo é bom com mar liso e vento favorável. O aprendizado do Pacífico foi fundamental, mas o Picolé é mais forte”.

A novidade veio dar à praia – “Tá vendo aquele barco vermelho ali na frente?”, disse uma mãe para a filha de no máximo quatros anos. “Ele veio lá do outro lado do mar, de outro continente e a gente veio aqui só pra ver os marinheiros chegarem”. O interesse pela expedição começou antes do início da tarde deste sábado. Com uma ampla rede de amigos nas redes sociais e uma divulgação bem distribuída, a chegada de Pandiani e Bely na Travessia do Atlântico se transformou na principal atração do dia em Ilhabela, tradicional cidade da prática da vela no Brasil.

Os 500 fãs dos velejadores acompanharam as dificuldades que os dois passaram no Oceano Atlântico pela internet e foram recepcioná-los com muita energia e alegria na sede da BL3. Fotos para Facebook, Instagran e até autógrafo os navegadores deram. Saudade para uns, admiração para outros e novidade para a maioria, que viu pela primeira vez um catamarã sem o mínimo de conforto que transportou dois aventureiros por mais de 7.400 quilômetros. Chamava muito a atenção as duas pequenas barracas instaladas na proa que serviram de dormitório para os velejadores.

O prefeito Antônio Colucci, o capitão Alexandre Motta de Sousa, da Capitania dos Portos, em São Sebastião, patrocinadores, o anjo da guarda dos velejadores na Cidade do Cabo, Manuel Mendes, e os curiosos mudaram a paisagem da Praia da Armação. Antes de aportar, o barco Picolé foi escoltado por uma flotilha de 20 barcos, lanchas e monotipos, liderados pelo Orson Mapfre, um dos ícones da vela oceânica brasileira, comandado por Carlos Eduardo de Souza e Silva, o “Kalu”.

O primeiro discurso, precedido pela Aquarela do Brasil de João Gilberto, misturou saudade e agradecimento. Sempre fazendo reflexões, Beto Pandiani destacou a importância do apoio de cada amigo, dos dias sem vento e do legado. “A vontade que tenho é de abraçar um por um, de olhar nos olhos e agradecer a oportunidade de ter vivido esta emoção tão intensa nestes últimos meses. A viagem deu certo e o Picolé agora tem uma casa: Ilhabela. Quero que este barco sirva de inspiração para as crianças e que passe a ser um barco escola, ensinando aos pequenos os valores que se precisa para ir ao mar. Preciso devolver tudo que recebi, e esta é uma das maneiras que vejo”.

Depois de cumprimentar cada amigo antigo ou novo, a dupla foi conversar com a imprensa no hotel Armação dos Ventos. Esgotado o assunto, veio a melhor parte. A primeira refeição quente dos últimos 38 dias, que incluiu arroz com coco, cação, filé mignon, muqueca de peixe, farofa, purê de banana e muito Red Bull.

Logo depois, Pandiani e Bely foram descansar porque na noite do sábado estava programada uma grande festa no hotel para comemorar o feito. Beto Pandiani, responsável por uma sugestiva e criativa playlist da expedição (ele colocava a música do dia em cada post que escrevia na internet) seria o DJ.

Da ZDL

Beto Pandiani e Igor Bely chegam neste sábado em Ilhabela

A bordo do Picolé, a dupla avista terra firme

A bordo do Picolé, a dupla avista terra firme

São Paulo (SP) – A sede da escola de vela BL3, na praia da Armação, em Ilhabela (SP), está pronta para a chegada da Travessia do Atlântico, uma das maiores aventuras da dupla Beto Pandiani e Igor Bely. O dois chegam ao destino final às 12h deste sábado (27), após uma viagem que superou 4.000 milhas náuticas pelo oceano a bordo de um catamarã sem cabine e conforto zero. A viagem começou em 20 de março, na Cidade do Cabo, na África do Sul, e vai acabar 38 dias depois. No trajeto, os velejadores relataram pelo site travessiadoatlantico.tumblr.com. que sofreram com as condições adversas como sol forte, tempestades, ondas e zonas de naufrágio.

Contando as horas e os minutos para o encerramento, Beto Pandiani confessou não aguentar mais sofrer com a falta de ventos. “Estamos pagando pedágio para os deuses, pois a falta de vento está sendo a marca da viagem. Ou pancada, ou merreca. Na quinta-feira (25),por exemplo, passamos o dia todo olhando para o Rio de Janeiro, e não passava, e não andava. Uma corrente contra adiava nosso pequeno progresso. Haja Red Bull. É preciso muita energia pra superar tantos obstáculos”, reclamou.

O velejador completou: “Esta rotina é um teste mental extremo, e ainda preciso saber o que preciso aprender com esta situação. Paciência! Estamos a apenas poucas milhas de Ilhabela”.

Igor Bely também falou da reta final da Travessia do Atlântico: “É claro que não há vento, mas isso não é uma surpresa. Estamos confiantes de que virá. Sábado vamos realizar um sonho que está a mais de 35 dias em nossas mentes: caminhar na praia. Desejem-nos boa sorte para estes últimos quilômetros”.

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.

Da ZDL

Depois de atravessar o Atlântico, Beto Pandiani e Igor Bely chegam a Ilhabela neste sábado

Dupla saiu da Cidade do Cabo, na África do Sul, no mês passado e, quando completar a aventura, terá enfrentado quase 38 dias de mar

Betão e Igor fazem uma pausa para comer em Arraial do Cabo

Betão e Igor fazem uma pausa para comer em Arraial do Cabo

São Paulo (SP) – Poucas milhas separam a dupla Beto Pandiani e Igor Bely de Ilhabela, na reta final da aventura pelo mar, após 4.000 milhas náuticas. A Travessia do Atlântico começou em 20 de março, na Cidade do Cabo, na África do Sul, e vai acabar 38 dias depois, na escola de vela BL3, na praia da Armação, por volta das 12h deste sábado (27). No caminho, condições adversas como sol forte, tempestades, ondas e zonas de naufrágio. A única parada rápida foi nesta terça-feira (23) em uma praia de Cabo Frio (RJ) para comer um lanche e descarregar o lixo acumulado na viagem.

“Chegamos à praia dos Anjos, em Arraial do Cabo, onde nosso grande amigo Murillo Novaes nos recebeu com sanduiche e refrigerante. Vocês não imaginam o sabor que isso tem depois de tantas refeições liofilizadas. Aproveitamos para retirar o lixo de dentro dos cascos, já que não jogamos na água nada que pudesse poluir o oceano”, disse Beto Pandiani em seu relato pelo site travessiadoatlantico.tumblr.com.

“Parar a viagem para matar um pequeno desejo que naquele momento parecia uma coisa surreal. Algumas horas antes nós estávamos com mau tempo, chuva durante toda a noite, e passado meio dia chegávamos a uma praia linda, com águas serenas e com gente. Fazia tempo que eu não via um carro, uma casa e todas as coisas urbanas”, contou Betão Pandiani.

O barco Picolé passará nesta quarta-feira (24) pela Baia de Guanabara, no Rio de Janeiro, antes de zarpar para Ilhabela.

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.

Da ZDL

Vento aparece e Beto Pandiani e Igor Bely se aproximam de Cabo Frio

Aventura pelo Oceano Atlântico da dupla está na sua reta final. Depois de sofrer desde a África do Sul com ventos inconstante, expedição terminará após mais de um mês neste sábado (27), em Ilhabela (SP)

Dupla sorri com a entrada do vento

Dupla sorri com a entrada do vento

São Paulo (SP) – A aventura de Beto Pandiani e Igor Bely pelo oceano a bordo de um catamarã sem cabine está em suas milhas finais. Já em águas brasileiras, a dupla se aproxima de Cabo Frio, na costa fluminense, e já conta as horas para o término da expedição, que será no sábado (27), em Ilhabela (SP). Os dois saíram da Cidade do Cabo, na África do Sul, em 20 de março e já enfrentam mais de um mês de condições adversas no barco. Ao todo, são mais de 4.000 milhas náuticas (7.400 quilômetros). Nas últimas horas, a velocidade dos ventos foi maior e empurrou cada vez mais a embarcação para casa.

“O Picolé está de rabo abanando, louco de desejo de ver Cabo Frio esta noite. Já temos preparada a nossa garrafa de vinho do Porto para brindar. Quem sabe na terça-feira na hora do almoço não vamos estar em frente a Copacabana?”, disse Beto Pandiani em seu relato pelo site travessiadoatlantico.tumblr.com.

Apesar de diminuir a distância para Ilhabela, os velejadores não têm vida fácil a bordo. “Mar de lado, sacudidas fortes, ondas quebrando em cima do barco e nos ensopando. Desde que fizemos a viagem do Pacífico temos um problema com a água. Ela bate na lateral do barco e sobe entre a asa, pegando em cheio no rosto ou nas pernas. Vimos muitos navios de container, graneleiros e petroleiros. Passaram bem próximos e sempre acho estas latas flutuantes assustadoras, pois aparecem muito rápido e por isso agora estamos de plantão a noite toda”, relatou Beto Pandiani.

Igor Bely também comentou as dificuldades a bordo. Afinal de contas são 32 dias de aventura. “Não estamos muito longe. A todo momento a imagem da terra aparece nas nossas mentes. Mas vale dizer que nas últimas 24 horas fizemos mais progressos do que em três dias por causa do vento sul. Durante o dia, o vento é constante, mas à noite é o oposto”.

A programação de chegada da dupla está confirmada para o sábado (27), por volta de meio-dia na sede da BL3, na praia da Armação, no norte de Ilhabela, depois de 38 dias de velejada.

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.

da ZDL

Em águas brasileiras, Betão Pandiani e Igor Bely superam noite de tormentas

Ventos fortes na passagem por Trindade, pedaço de terra administrado pela Marinha, assustam dupla que faz o caminho da África do Sul ao Brasil a bordo de um catamarã sem cabine

A dupla sofreu ao chegar em águas brasileiras

A dupla sofreu ao chegar em águas brasileiras

São Paulo (SP) – A Travessia do Atlântico, aventura de Beto Pandiani e Igor Bely pelo oceano a bordo de um catamarã sem cabine, chega em um momento importante. A dupla já está em águas brasileiras quase um mês após a partida da Cidade do Cabo, na África do Sul. Os dois deixaram para trás o arquipélago de Trindade e Martim Vaz, o trecho de terra mais distante da costa nacional. O território pertence ao município de Vitória (ES) e está a mais de 1.200 quilômetros distante da cidade. A Marinha do Brasil tem um posto militar no local. Poucos velejadores de oceano conseguiram ter o privilégio de chegar à ilha de Trindade, um imenso paredão no meio do Atlântico.

“Estamos agora em águas brasileiras. Estive lá, em Trindade, quando tinha 8 anos, mas não consegui chegar em terra, já que a ilha é inóspita e de difícil acesso pelas praias rochosas e fortes ondas. Lembro que havia tanto peixe, que o cardume encostava perto do barco para ver se era comida. Espero que o local permaneça o mesmo”, disse Igor Bely, que foi para ilha de Trindade a bordo de um veleiro batizado de Kotic II.

Mas, na região de Trindade, os velejadores sofreram. O vento forte vindo de noroeste, ou seja, bem contra o Picolé, dificultou as coisas para a dupla que pretendia ir para o sentido oeste. “Não queríamos descer ainda para o sul, pois uma frente fria provocava ventos fortes de sudoeste mais ao sul, também contra nosso destino. A noite de domingo para segunda-feira foi a pior noite da viagem”, relatou Beto Pandiani. “Não dormimos nem um segundo e sentindo as pancadas das ondas arrebentarem na lateral do Picolé. Era como tomar um soco no estômago. O medo de quebrar o barco e perder tudo que fizemos até aqui me deixou com a boca seca. Por alguns momentos o medo do fracasso tomou conta de mim”.

Chegada prevista para dia 27 em Ilhabela – A ideia da dupla é chegar em Ilhabela no dia 27 de abril, na sede da BL3. “Essa viagem é diferente de todas que fiz, pois não tem escalas. É quase um mês a bordo e a gente não vê nada. A impressão é que estamos sozinhos no mundo. Nuvem e céu apenas. À noite só existe isso”, afirmou Betão Pandiani.

“Estamos a 620 milhas de Vitória e 730 de Cabo Frio. São números animadores e se tivermos três dias bons, vamos nos aproximar bastante da costa brasileira”, finalizou Beto Pandiani. Depois que o mar acalmou, os dois conseguiram descansar e até foi possível pescar. Igor Bely pegou um marlin, que logo depois foi devolvido às águas.

Ao todo, a Travessia do Atlântico tem 4.000 milhas náuticas (7.400 quilômetros) da Cidade do Cabo (África do Sul) até Ilhabela (Brasil). Os dois estão na água desde 20 de março, mas a falta de ventos impediu que a aventura terminasse em 30 dias.

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.

Da ZDL

Betão Pandiani e Igor Bely esperam o vento chegar para seguir até o Brasil

Pacientes, velejadores refazem previsão por causa da falta de ventos no Atlântico. Dupla deve demorar mais de 30 dias para completar percurso da Cidade do Cabo (África do Sul) até Ilhabela

O vento insiste em não aparecer

O vento insiste em não aparecer

São Paulo (SP) – A falta de ventos constantes fez com que Beto Pandiani e Igor Bely recalculassem a previsão para o fim da Travessia do Atlântico, aventura da dupla pelo oceano Atlântico a bordo de um catamarã sem cabine. Os 30 dias sem escalas inicialmente programados para a viagem não serão suficiente para os velejadores percorrem as 4.000 milhas náuticas da Cidade do Cabo (África do Sul) até Ilhabela (Brasil). Na água desde 20 de março, os dois enfrentaram condições de mar ruim, frio e muito calor. Porém, o que mais dificultou o cronograma da expedição foi a velocidade do vento, insuficiente na maior parte do caminho.

“Com a falta de vento desta semana que passou não vamos conseguir chegar em Ilhabela no dia 20. Portanto, amigos, sinto muito se alguém se programou e sinto também por nós, que tínhamos expectativa de chegar em terra na semana que vem. Paciência, temos uma meteorologia desfavorável, com pouco vento e depois de segunda-feira (15) com ventos contrários”, disse Beto Pandiani.

O barco Picolé se aproxima da ilha brasileira de Trindade. A partir desse trecho são 600 milhas náuticas até Vitória (ES) em linha reta. A estratégia de Beto Pandiani e Igor Bely é fazer a aproximação da costa do Brasil por Cabo Frio (RJ) e depois descer a costa fluminense e em seguida a paulista. “Dependemos do vento e ainda não sabemos ao certo o que vai acontecer até quarta-feira (17). Aqui no barco comemoramos todas as pequenas coisas, assim mantemos o ótimo humor e astral”, relatou Beto Pandiani em seu diário de bordo publicado no site travessiadoatlantico.tumblr.com.

Nessa fase da viagem, com ansiedade para chegar em terra firme, a ordem a bordo é paciência. Alguns pequenos detalhes como comida fresca, uma cama confortável e um banho fazem parte do sonho imediato dos dois. “Temos comida em abundância, mas as coisas frescas se foram, já comemos o último grapefruit. Sonho em poder tomar um simples suco de laranja, comer uma salada de tomates com alface e um prato de frutas. Já que não posso, vou me dedicar ao máximo para levar o Picolé de volta para casa. As noites tem sido difíceis para mim, pois a caminha improvisada é muito dura e passo a noite virando de um lado para o outro, igual frango de padaria, tentando encontrar uma posição melhor. Depois que comecei a fazer estas viagens, passei a amar minha cama e não tem uma noite que eu chegue em minha casa e olhe para ela com o devido valor”.

Beto Pandiani aproveita para propor uma reflexão àqueles que estão acompanhando sua expedição. “A vida aqui não é superlativa como na cidade, aqui temos um modo de vida espartano ao máximo e nosso exercício é maximizar, minimizar, valorizar, pois os recursos são finitos e é fácil de ver. Na cidade perdemos a noção dos recursos que dispomos e vivemos uma vida perdulária em todos os sentidos. Vou até mais longe, acho que perdemos muita energia em pensar bobagens que não levam a nada. Aqui toda a nossa energia consumida tem que nos levar de volta para casa. Acho que isso dá uma boa reflexão para todos. Onde queremos chegar com a energia que dispomos? Vejo a vida assim: nascemos cada um com uma cota de energia programada para chegar a um determinado lugar, como um carro que pega uma estrada e tem combustível para tantos quilômetros. Se chegarmos antes do tempo, acho que ganhamos uma sobrevida, mas se nos perdermos no caminho e gastarmos nossa energia em coisas supérfluas, podemos ter nosso plano de voo revisto. Viva mais com menos, viaje leve e vá longe, mandamentos do Picolé.”

A Travessia do Atlântico tem o patrocínio de Semp Toshiba, apoio de Mitsubishi, Red Bull e Certisign. Os colaboradores são Reebok, BL3, Sta Constância, Azula, North Sails e Track and Field.

Da ZDL

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