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Posts com Tag ‘murillo novaes’

Resumão o retorno: VOR, 49er, Star, Match, Soling, Copa América, Barcelona, Recorde e mais! Muito mais!

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Em Auckland, Bochecha e companhia comemoram muito o primeiro lugar na perna 4 da VOR 2014/15

 
Mapfre, com Bochecha a bordo, vence 4ª perna da VOR. Martine e Kahena vencem na NZ. Jorginho e Bruno lideram no Star em Miami. Geison, Gustavo e Diego vencem Match Race no sul. Despoluição da Guanabara parada no Rio. CBVela promove clínicas jovens pelo Brasil. Phaedo3 bate recorde da RORC600 no Caribe. Classe J também vai correr na Copa América de 2017 nas Bermudas. Stamm e Le Cam lideram Barcelona World Race. 

Agende-se: Brasileiro de Soling, regata virtual feminina e Aquece-Rio

Querido amigo e mais que querida amiga, eis que aqui estamos neste ano sabático de 2015, em pleno verão carioca no covil do Posto 6, voltando a modular este resumitivo informativo psicoativo boletim eletrônico que trata daquilo que mais interessa no universo: o nosso querido planeta Vela.

Como já é do seu conhecimento, desde o advento das tais, hoje onipresentes, redes sociais que a coisa meio que desandou. Peço, desde já, as escusas necessárias e as vênias devidas. O fato é que apesar do feicibuqui, do tuíter, do linquedim, iutube e que tais muitos de vocês, diletos e queridíssimos amigos e amigas, me abordaram pelas águas do mundo reclamando de uma nova orfandade que sempre muito me lisonjeou, a deste humilde textículo vélico .

Portanto é chegada a hora, órfãos do Resumão, da ressureição! Eu vos apresento, mais uma vez, a volta dos que não foram, a redenção dos infodesvalidos, o milagre da multiplicação das notícias náuticas, o meu, o seu, o nosso indefectível: Resumão!!

E como o tempo não para e a Lusitana roda, vamos direto à cidade das velas, uma das não-capitais mais famosas do globo, a kiwi Auckland. Pois foi lá que nosso querido Bochecha fez história anteontem na Volvo Ocean Race 2014/15

VOR – A título de equalização das informações vamos a um pequeno apanhado do que rolou até aqui na regata de volta ao mundo. Na tal Vida ao Extremo. Como é do seu conhecimento esta edição traz algumas novidades relevantes.

A maior delas é o One Design, ou seja, desta feita todas as naves do desafio são rigorosamente iguais e fornecidas pela organização para os times. Sendo assim, as outrora equipes de terra hoje estão reduzidas e é no estaleiro (boatyard, para os anglófilos) desmontável da própria organização que os barcos e velas são revisados e reparados em cada parada.

Outra boa novidade é o sistema de pontuação que voltou a ser o nosso velho conhecido da vela, ganha quem fizer menos pontos e cada posição alcançada dá ao barco o número de pontos equivalente (1º um, 2º dois, 3º três, etc.). Outra! Agora as in-port races as famosas regatas locais não contam mais pontos para o resultado final e constituem um torneio à parte. Apenas no caso de empate no resultado final da regata é que o resultado da série de regatas locais funciona como critério de desempate. De mais importante acho que é isso!

Ah sim! E não deixemos de mencionar o incrível acidente sofrido pelo Team Vestas, por um erro humano (sei bem como é isso!) do navegador Wouter Veerbrak que levou o VO65 deles a subir nos recifes de Cargados Carajos (isso mesmo!!) em pleno Índico. Depois do enorme susto, da tripula de náufragos ser resgata na ilha do arquipélago das Maurício, depois do comandante Chris Nicholson ter voltado e retirado o barco de lá em uma operação logística complicada, depois do mundo ver estupefato, com a onipresença de câmeras de vídeo de nossa era de exposição máxima, os filmes da colisão, do abandono, do resgate, etc., depois de tudo isso, o time anunciou que vai voltar. Bravo!!

A nota ruim, a meu ver, fica pelo fato de Nicholson ter mantido todos os tripulantes menos o navegador equivocado (induzido ao erro por uma simples questão de dar mais ou menos zoom em uma carta eletrônica, em última instância). Errare humanum est, como diria o filósofo Jorge Benjor e, depois de bravamente, como é próprio dos homens do mar, assumir parte da culpa como o comandante do barco, tirar o cara é uma demonstração de fraqueza e de tentar apontar culpados (e se esquivar…). Tenho certeza que Verbraak, um excelente e renomado profissional, jamais vai porrar outro recife na vida. Deve estar espertíssimo eu bem sei!!

Isto posto, sigamos para o largo sorriso espanhol do catarinense Bochecha, também conhecido pelo apelido de André Fonseca, nas docas de Auckland. É que neste sábado, após a extenuante quarta perna da regata que saiu da fria Sanya, na costa leste do dragão chinês, em direção à terra dos maoris, a nave del rey, sob o comando do herói olímpico espanhol, Xabi Fernándes, chegou em primeiro na parada. E com ele o nosso único velejador desta edição e capitão de turno do barco: André “Bochecha” Fonseca.

O feito do barco vermelho, patrocinado pela gigante dos seguros Mapfre, é ainda engrandecido pelo fato de ter passado um bom tempo da perna “cego eletronicamente”, sem receber ou transmitir nenhum arquivo digital. E, portanto, sem acesso aos importantíssimos arquivos GRIB de previsão do tempo que alimentam os sistemas de roteamento dos modernos softwares de navegação e sem ver o caminho que a concorrência traçou. Vai ver que foi até por isso, né?!… Parabéns ao Bucha e tripula! Bien hecho!!

Depois de 4 pernas corridas, a tabela da VOR 2014/15 mostra um empate (desfeito pela série das in-ports) em 8pts entre Abu Dhabi (Ian Williams) e Dongfeng (Charles Caudrelier). Em terceiro vem o Brunel (Bouwe Bekking) e empatados em 16 pontos, em 4º e 5º, respectivamente, estão Alvimedica (Charlie Enright) e Mapfre (Xabi Fernándes). O único time feminino, do técnico brasuca Joca Signorini, ex-campeão da regata, SCA (Sam Davies) aparece em 6º. E fechando a súmula, já que só completou a primeira perna, vem o ressurreto (veremos!) Vestas (Chris Nicholson).

No dia 15 deste março de meu Deus a flotilha deixa a Nova Zelândia e, via Horn, chega à nossa Itajaí (por volta de 3 de abril, após 6.800 milhas) de onde parte no dia 19/4 rumo a Newport, nos EUA. Eu vou estar na santa e bela. E você? Veeeenha!!

 

Na imagem a largada do Star hoje na Bacardi Cup em Miami.

Na imagem a largada do Star hoje na Bacardi Cup em Miami.

\_~~ (\_ Rajadinhas (\_~~ ~ (\_

** Na hipertradicional Bacardi Cup de Star (agora Bacardi Miami Sailing Week) temos uma verdadeira constelação de estrelas brasucas e gringas. Depois de 3 regatas corridas quem continua roubando a cena é a dupla Jorginho Zarif/Bruno Prada. O neófito starista , campeão mundial de Finn s6enior e júnior, depois de ir muito bem na Star Sailors League voltou a mostrar as garras na baía de Biscayne. Hoje a prova foi vencida por Torben Grael e Madá Almeida com Lars Grael e Samuca chegando em segundo. A dupla Dino /Maguila lidera os exalted gran másters (acima de 70 anos) e estão em 11º geral de 54 barcos. O ministro é 24, mas isso é outra história… Amanhã tem mais!!

** As líderes do ranking e atuais campeãs mundiais de 49erFX Martine Grael e Kahena Kunze estavam treinando na Nova Zelândia e mandaram muito bem. Venceram o nacional de lá e na Oceanbridge Sail Auckland, no ultimo final de semana, após 15 regatas a dupla só ficou atrás das donas da casa, Alex Maloney e Molly Meech, etrnais rivais e grandes amigas de nossa dupla.

** E por falar em vela olímpica… Sujou! Depois de eternas juras das “otoridades” do Rio de Janeiro de fazer o máximo esforço para chegar perto dos 80% (que mede? Como??) de despoluição prometidos para 2016, ficamos sabendo que nem as medidas superpaliativas de usar barcos para catar lixo flutuante e barreiras nos rios para evitar que eles cheguem ao espelho d’água da baía de Guanabara estão funcionando. Como diria Joel, o Santana: estão de palhaçadinha!!

** A CBVela, dando bom prosseguimento aos novos rumos da cartolagem vélica brasileira, realizou mais duas clínicas de vela jovem. Entre os dias 19 e 22 de fevereiro o lago de Itaipu, no Paraná, recebeu o professor-velejador Bernardo Arndt, o experiente Baby. Vinte atletas do projeto social “Navegar É Preciso” participaram do evento de Hobie Cat 16 e saíram bastante animados para as próximas competições da classe.

** Ainda nos jovens… Entre os dias 24 e 27 de fevereiro o ICRJ recebeu oito velejadores da classe RS:X para uma clínica com Bernardo “Baby” Arndt e Albert Carvalho. Foram quatro dias de aulas teóricas e práticas, focadas no desenvolvimento pessoal dos atletas e da classe em si. Todos os dias os velejadores tiveram uma palestra pela manhã, correram regata pela tarde e ao chegarem e terra, finalizaram o dia com um briefing sobre acertos e erros da velejada. Boa iniciativa do nosso coordenador de vela jovem, o eterno jovem Xandi Paradeda. Vida longa ao programa!!

** Depois de uma final muito disputada neste domingo, o título do Match Race Radimagem, no Veleiros do Sul, em Porto Alegre, ficou com a equipe formada por Geison Mendes, Gustavo Thiesen e Diego Quevedo. Em segundo lugar ficaram Nelson Ilha, Manfredo Flöricke e Gustavo Ilha. E em terceiros George Nehm, Marcos Pinto Ribeiro e Rodolfo Streibel. Gauchada boa!!

** Nas caraíbas o final de fevereiro foi animado. Na já tradicional, bela e disputadíssima RORC600 a regata de 600 milhas entre 11 ilhas caribenhas que começa e termina em Antígua e que reuniu 64 barcos de 14 países neste 2015, o MOD70 Phaedo3 de Lloyd Thornburg cruzou a linha de chegada com um tempo de 1 dia, 9 horas, 35 minutos e 30 segundos e quebrou o recorde geral da prova que era de Claude Thelier e John Burnie no ORMA60 Region Guadalupe por 6 horas, 35 minutos e 35 segundos. Ligeiro!!

** A regata de volta ao mundo em duplas sem parada e sem assistência, Barcelona World Race, está chegando ao final. Quer dizer… Os líderes Bernard Stamm e Jean Le Cam já sobem o Atlântico de volta e têm quase mil milhas sobre os segundos colocados. Para dar uma ideia, a flotilha de 7 barcos se espalha por 5.500 milhas de mar… Na tabela: 1º Cheminées Poujoulat (B Stamm – J Le Cam) a 4938 milhas de Barcelona; 2º Neutrogena (G Altadill – J Muñoz) + 970 pro líder; 3º GAES Centros Auditivos(A Corbella – G Marin) + 1237 milhas pro líder. Eu adoro estes ORMA60! Lindos, marinheiros e velozes!

** Depois de anunciar o AC62 como barco e Bermuda como a raia da próxima Copa América (America’s Cup, if you wish) e o uso do antigos AC45 com fólios adaptados na ACWS, a America’s Cup World Series, tour que precede a coisa toda de 2017, anunciou que no evento bermudiano vai rolar também uma regata dos incríveis Classe J, que corriam a parada nos anos 1930. Do clássico mais lindo ao bólido mais moderno! Show!!

(\_~~ (\_ Agenda (\_~~ ~ (\_

** Para as gatas que curtem as velejadinhas no timouse (a mistura de timão com mouse) surgiu uma regata só para as fêmeas. A VR Women’s Cup. Para saber mais: http://bit.ly/1ALuSTz

** O 45º Campeonato Brasileiro da classe Soling começa na sexta-feira (6) e segue até domingo no Veleiros do Sul. Nesta edição a competição terá presença estrangeira com o canadense Peter Hall, tricampeão mundial Soling e presidente mundial da classe, que comandará uma tripulação local e os alemães Michael Dietzel, vice-presidente mundial da classe, que correrá com sua filha Anna e Hannes Ramoser. Da Zona Sul do estado virá o representante do Rio Grande Yacht Club, Henrique Horn Ilha e Marcelo Chade, de São Paulo. A novidade entre as equipes gaúchas é a volta para a flotilha de Ernesto Neugebauer para assumir o timão do barco Coringa, que conta ainda com Beto Trein e Roger Lamb. O Brasileiro terá seis regatas no total, e não mais que três por dia. O Soling é o bicho!

** Entre os dias 13 e 22 de agosto a Marina da Glória, no Rio de Janeiro, vai ser mais uma vez palco do Aquece Rio International Regatta. Este será o segundo evento teste dos Jogos Olímpicos de 2016. Estão convidadas as dez classes que fazem parte do programa: 49er, 49er FX, Laser, Laser Radial, 470 masculino e feminino, RS:X masculino e feminino, Finn e Nacra 17. Serão usadas cinco raias, sendo três dentro e duas fora da baía de Guanabara. As medal races serão disputadas na praia do Flamengo nos dias 20, 21 e 22. Para ver o Aviso de Regatas, clique aqui: http://bit.ly/1ALxFfn

(\_~~ (\_ Entre Aspas (\_~~ ~ (\_

“A vida só se compreende mediante um retorno ao passado, mas só se vive para diante.” Do filósofo existencialista dinamarquês Soren Kierkegaard, sem saber, aludindo, em premonição, à volta do resumão.

Fui!! Para adiante…

Murillo Novaes

 

Resumão de fim de ano! Resumão mesmo! Restrospectiva 2011!!

Este jornalista, um King-Jon-Un da sopa de letrinhas vélicas nacionais, elegeu, democraticamente, Kan Chuh o Velejador Brasileiro do Ano de 2011. Arrebentou!

Bom dia querido amigo e mais que querida amiga,

Parece mentira, mas… Transmitindo direto do covil (yeah!!), no sempre caliente verão do Cabo Frio, vamos a mais um clássico dos clássicos do jornalismo vélico intergaláctico, o seu, o meu, o nosso resumão de segunda, na terça quarta, quinta, sexta, etc. (ou como diriam os australianos: I only drink in days that end in Y). Desta feita, resumão este em versão retrospectiva e levemente prospectiva no ponto fulcral do biênio 2011-2012. Vamos aproveitar o primeiro dia do ano para… trabalhar um pouquinho… Bem, isso foi para fazer certo charme, já que o prazer em escrever para o amigo e as amigas é, claro, imensurável. Que venha o 12!! Saravá meu pai!!

Como o amigo está careca de saber (o gaúcho Xandi e o cabofriense Edu, obviamente…) este 2011 que passou foi um ano de muito trabalho, algumas conquistas e a retomada desta nossa relação postal-literária, ainda que de maneira quase tímida já que as poucas 24 horas do dia, os três, filhos, as duas ex-mulheres, as duas casas, os cinco empregos e as inúmeras viagens, para dizer o mínimo, acabam sempre conspirando contra esta cartinha-resumo do que se passa nas águas de Gaia-Terra, a navilouca nave-mãe, vulgo planeta Vela, que alguns tripulantes estão doidinhos para destruir. No comments…

Claro, que os mais jovens e os mais antenados (alô clássicos da vela e outros sofredores do analfabetismo digital), sabem que no www.murillonovaes.com (que tem à sua esquerda a reprodução dos tuítes mânzicos, portanto das notícias do momento e, às vezes, até ordem de montagens de boia de certas regatas) e no meu perfil do FaceBook estão lá sempre, à medida do possível, as últimas novidades. Aqui vão sete ondinhas especiais de sucesso para minha querida sub-manzinha que lá das terras de nossos pais lusos ajuda a manter atualizado o sítio deste mané. Valeu Mari Pecci! E para não causar ciúmes, outro salve para a Mari Thamsten minha sócia na Velassessoria que segura as pontas brilhantemente por lá com a graelada toda! Viva as Maris! Sem elas não teríamos tido mais de 100 mil visitantes únicos no site em 2011, só pra citar um número. Merci, merci!

Mas vamos parar de RP e cair direto do que interessa. A título metodológico, elegi alguns temas-chave, que estão destacados em negrito e não precisam ser lidos de vez (resumo anual é texto grande, meu chapa). Mas antes da sensacional, imperdível, inesquecível retrospectiva do incrível, portentoso e glorioso ano de 2011, vamos contando que algum gênio da raça marcou regata valendo no Mundial (2011, diga-se) de Optmist lá em Napier, Nova Zelândia. Ou seja, já temos novidades novidadosas no planetinha vélico  hoje mesmo. Sucesso ao técnico Giga Haddad e seus pupilos brasucas!!

E já atualizando também o amigo, a VOR, a volta ao mundo, está “suspensa”. Outro gênio da raça resolveu colocar os seis bólidos (na verdade cinco, né, porque o Sanya já tinha quebrado de novo e ido para Moçambique) em um navio e transformar “the ultimate adventure” em um cruzeiro para as tripulações. Isso, porque quando entraram na stealth zone (a zona cega para evitar a suposta pirataria somali) os caras estavam apenas a 1500 milhas da costa africana. Caraca! Esses piratas devem ter botinhos turbo-alucinógenos do século 25!! Abordar um barco a mais de mil milhas da costa naquelas lanchinhas abertas com motor de popa não é para qualquer um não… Tô começando a admirar o espírito aventureiro e marinheiro dos corsários africanos! Enfim… Acho que alguém não contou a história verdadeira ou houve um mega-hiper-excesso de preciosismo por parte da organização.

Bem, o fato é que daqui a pouco os caras ressurgem depois do estreito de Ormuz (em cujos fiordes, pelo lado de Omã, não do Irã, claro, tive o prazer de navegar e recomendo fortemente!) e já no emirado de Sharjah serão desembarcados para fazer o showzinho da chegada em Abu Dhabi que valerá 20% dos pontos da segunda perna pelas quase 100 milhas navegadas. Mico total! A coisa boa é que o Telefônica de Joquinha Signorini e do Diretor Técnico Horácio Carabelli venceu a primeira parte da segunda perna(!?) praticamente no photochart e lidera o torneio Volvo Ocean Race. Uhu!!

Por falar em photochart, a chegada no tasmânico porto de Hobart, a capital do estado insular australiano, terra natal do demônio Taz, na edição 2011, a 67ª da Rolex Sydney-Hobart foi pra lá de emocionante. A regata que larga no dia seguinte ao natal e tem como principal categoria a fita-azul pura e simples viu os maxis de 100 pés brigarem bonito. O Investec Loyal (infelizmente nada a ver com o nosso Loyal, de Ilhabela) cruzou a linha, depois de mais de 600 milhas e um match race rio Derwent acima, apenas 3 minutos e 8 segundos à frente do Wild Oats XI. Foi a quarta chegada mais apertada da história da prova. Em 1982 o Condor of Bermuda bateu o Apollo por apenas 7 segundos! Sinistro!! E para finalizar: no tempo corrigido venceu o Reichel Pugh 63 Loki.

Mas vamos aos retrospectos do ano findo. Já adiantando que é lóoogico que vou esquecer de algo ou de alguém, pelo que já peço desculpas antecipadas e lembro que meu e-mail está, como sempre aliás, abertíssimo a TODOS que quiserem mandar suas notícias e/ou divulgar seus resultados, eventos, clubes, classes, pontos de vista, etc. Eu sou vocês! E já aviso também que não pretendo esgotar nada e tão somente dar uma pincelada geral no ano que passou para entrarmos 2012 zeradinhos de resumões… De leve!! Ah, e também não vou entrar na questão política: da confederação, das federações estaduais, clubes, classes, Isaf, etc. Pelo menos, não hoje. Para deixar o ressacado amigo de cuca leve neste abre-alas do ano bom.

 

Comecemos pela Vela Olímpica. Bem, como é do conhecimento do amigo(a) este escriba passou o dezembro à serviço da CBVM no oeste australiano onde rolou o mundial unificado das classes olímpicas da Isaf que classificava 75% dos países para a olimpíada vindoura: Londres 2012 (no casa da Vela, Weymouth 2012). Por lá o fim de ano foi muito bom para os olímpicos brasilianos do ponto de vista das vagas para os jogos. Conseguimos 7 vagas entre as 10 classes em disputa contra apenas 5 em Cascais 2007, no evento análogo. No entanto, nos resultados individuais a coisa não foi tão boa e caímos no quadro geral de medalhas e em algumas súmulas de classes importantes. Só entramos em duas medal races e muitos dos favoritos acabaram em posições intermediárias.

Robert Scheidt e Bruno Prada arrebentaram de novo e faturaram o inédito bi-mundial de Star em dupla (Marcelo Ferreira também é bi, mas uma com Torben e outra com o alemão A. Hagen), o 10º título mundial de Robert (pooootaquelospareeel!!). No 470, a filhinha de peixe, Martine Grael, junto à proeira medalhista olímpica, Bel Swan, venceram regata e terminaram em um consistente 8º lugar, aumentando o gás da fervura na rivalidade com a dupla gaúcha Fernanda Oliveira (que ganhou o bronze chinês junto com Bel) e Ana Barbachan. Já explico que os velejadores que classificaram o Brasil em Perth ganham um ponto na disputa pela vaga individual. Outro ponto estará em disputa na primeira quinzena de fevereiro, na Pré-Olímpica de Búzios e, caso haja empate, o Troféu Princesa Sofia, em Maiorca, será o desempate.

Sendo assim, saem à frente: Star – Robert e Bruno; 470F – Martine e Bel; RS:X M – Bimba (11º em Perth); RS:X F – Patrícia Freitas (29ª na Austrália); Laser – Bruno Fontes (15º); Laser Radial – Adriana Kostiw (41º); Finn – Jorge Zarif (32º). No 49er, 470M e Match Feminino a chance de classificação está nos mundiais 2012 de cada classe e quem conseguir o feito (ou for o melhor colocado, se houver mais de um barco brasileiro) já está automaticamente em Londres. A se ressaltar a boa estrutura da nossa equipe em Fremantle, que, se medirmos pelo nível de investimento, não deixa nada a dever à dos principais países (a Inglaterra, p.ex., investe 50 milhões de Euros por ciclo olímpico, aqui chegamos perto do 10 milhões de Reais juntando patrocínio e lei Agnelo-Piva…) e o excelente trabalho dos líderes do time, Kadu, pela Confederação e o nosso Diretor Técnico Cláudio Bieckark, uma aula de vela ambulante.

Uma nota rápida sobre Fremantle, distrito de Perth. Os caras respiram vela!! O Museu Marítimo é de ver de joelhos (com direito a Skiffs de 1920, Moths de 1960, pesqueiros a vela históricos, canoas aborígenes e o próprio Austrália II e sua quilha revolucionária), sem falar na réplica perfeita do Endevour de James Cook (que refez a viagem original do descobridor inglês) que fica no cais ao lado e na incrível raia onde o tal “Doctor”, o vento maral local, sopra em cima de uma água translucida e um fundo lindo. Dimassss!!!

 

Na Vela de Monotipos (incluindo aqui as classes olímpicas e pan-americanas também em seu “estado regional”) o ano de 2011 foi profícuo. Destaque para nosso ídolo juvenil Alexandre “Amiguinho” Tinoco e seu superproa, Gabriel Borges, o Coveiro, que faturaram o mundial de Snipe, o ouro no Pan do México e dos jogos de praia, no Snipe. Destaque também para a Marinha do Brasil, com Giga Haddad e companhia, no Match, e as meninas lideradas por Martine Grael, no HPE25, que arrebentaram nos Jogos Mundiais Militares, no Rio. E não posso deixar de citar, no Star, meu amigo-irmão Lars Grael que além do tri sul-americano, foi também tricampeão brasileiro de Star e vice-campeão norte-americano. No lazer!

No Pan 2011 a coisa foi melhor em Puerto Vallarta do que já havia sido no Rio 2007. A equipe brasileira levou cinco ouros, uma prata e um bronze, totalizando sete pódios de nove possíveis. Na J/24, Santinha e cia., o agora tricampeão Ricardo “Bimba” Winicki, na RS:X, a supracitada dupla do Snipe, e, por antecipação, Patrícia Freitas na RS:X e Matheus Dellagnello na Sunfish, todos trouxeram o ouro asteca para Pindorama. Uhuu! O Brasil sediou, no ICAB, em Búzios, o Mundial de Lightning e Cláudio Bieckark e tripula levaram o título na categoria máster. Isso para falar só dos eventos interacionais.

 

Como sempre, os eventos nacionais estiveram concentrados no eixo tradicional da vela brasuca: RJ-SP-RS-SC-DF-BA fora uma coisa aqui e outra acolá. Não sinto que tenha havido um crescimento significativo da prática das regatas de monotipos e, em algumas classes, rolou até certo desânimo. Exceção para os monotipos de oceano, HPE25 e S40, que bombaram, mas por motivos alheios. Salvo engano e melhor juízo, acho que o tão propalado crescimento econômico do país e ascensão social não chegou ainda ao mundo da vela básica de competição. Claro que a classe de acesso, os Optmists, continuam em grande número nos enchendo de esperança. Mas poderia ser melhor, acho.

 

Na Vela de Oceano a coisa foi animada. A semana de Ilhabela, como sempre, bombou, embora hoje tenha ganhado ares mais de um evento para os patrocinadores do que para os velejadores. E se isso é bom pelo lado profissional, há que se manter o “charme” para o galerão da vela porque sem eles tudo fica sem graça. Como falei acima, a onda agora são os monotipos de oceano: HPE25, S40, Carabelli 30 e outros prometem acabar com a complicação das regras de rating e resgatar a emoção de vencer na água. No entanto, o contraponto sempre há de ser feito, e as regras (ORC, IRC, RGS, etc.) também têm seu valor e permitem que barcos diferentes possam participar das regatas com resultas que buscam alguma justiça na correção dos tempos. Na ORC, neste 2011, meu amigo Ernesto Breda, antes de vender o Touché, para o não menos amigo Sergio Cardoso, lá de Recife, fez barba, cabelo e bigode. O pequeno notável, San Chico 2, também aprontou das suas e se destacou. Os eventos se profissionalizaram seguindo a tendência dos últimos anos. Mit Sail Cup à frente. Copa Suzuki Jimny, no YCI, atrás (repararam o dedo de alguém nos dois…). E por falar em S40 e Souza Ramos, no evento que nosso mecenas criou para os espantosos monotipos de 40 pés, destaque para os uruguaios (de bandeira argentina) do Negra, e para o ânimo e alto nível de argentinos e chilenos. Lindos barcos, grandes tripulas, incríveis disputas. Sem sombra de dúvidas, a classe S40 deixou nossa vida mais interessante em 2011!

Nos tradicionais circuitos, como Salvador, Rio e a Búzios Sailing Week a ausência de grandes patrocinadores acaba os colocando um patamar abaixo (pena…), mas sempre com a possibilidade de atrair mais investimentos e, portanto, dar uma subidinha fácil. E na arena internacional um resultado excepcional para o grande André Mirsky, que, além de virar genro do Edu Penido, pôde comemorar o vice-título mundial da ORC em 2011. Dá-lhe Andrezinho!! E em águas do Mediterrâneo, Turbina Grael se juntou à francesada de Bertrand Pacé e conquistou o Tour de France a la Voile, ou a Volta da França a Vela. Pacé e sua tripulação do Sud de France / Languedoc-Roussillon ganharam com a ajuda do tático Torben Grael na última etapa da competição. Esse sabe das coisas!

Em termos regionais, apesar do ânimo de algumas lideranças locais e da tradição de raias cheias em Porto Alegre e Brasília, só para citar dois bons exemplos, o que me informaram é que, em número de barcos participantes, a coisa deu uma caída geral Brasilsão afora. Fica aquele gostinho de que poderia ter sido melhor assim como nos monotipos.

 

Na Vela de Cruzeiro, como sempre, a galera se esbaldou. Talvez tenha sido aí onde o reflexo da inesperada pujança econômica do pós-Lula se fez sentir no mundo dos paninhos brancos sobre a água. Por definição uma turma mais díspar (afinal, para cruzeirar basta pegar o barco e velejar, não é necessário inscrição, clube, federação, nada…). pelo que acompanho no blog do meu guru cruzeirista, Dom Helioca de Mara² (Catu e da Mara mesmo), o www.maracatublog.com  , cada vez mais temos brasileiros dando voltas ao mundo, cruzando oceanos, se lançando aos mares e curtindo a vida embarcados. A sempre competente ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro ampliou o número de eventos e hoje, além do já internacionalmente consagrado Cruzeiro da Costa Leste, tem o da Costa Sul , da Costa Verde, da Costa Fluminense e os maneiríssimos cruzeiros para o interior, como o da linda hidrovia Tiête-Paraná e o encontra da Vela Caipira. Sucesso em 2012 para a galera que veleja sem compromisso é que ama, sobretudo, o simples prazer de navegar!! Aqui faço singela homenagem ao Galdo, grande cruzeirista que se foi de forma trágica neste 2011… E com o nome dele, a todos os velejadores que foram para outras raias neste ano passado.

 

Falando da Vela Clássica, o ano foi de sucesso total. A pioneira iniciativa do RYC de homenagear o patriarca do da família Schmidt-Grael, na Regata Preben Schmidt, teve em 2011 uma edição histórica, cheia de barcos, clássicos ou não, e animadíssima. A iniciativa pioneira de Alain Joullié, Comodoro do ICAB, que inspirado na Voiles Saint-Tropez iniciou a Regata de Clássicos de Búzios, que  com a organização do franco-carioca Loic Grosselin cresceu e chegou também a Angra, foi sucesso, sucesso em sua sexta edição. Para mim, pessoalmente, a oportunidade única de ser o navegador do Comandante Grael, no belo 50 pés 1969, Lady Lou, e tomar bronca com os amigos, para todos que participam, a oportunidade, não menos exclusiva, de rever belas joias marítimas e participar de uma confraternização sempre elegante e divertida. Até surgiu uma associação dos veleiros clássicos nacionais e para coroar estas iniciativas, meu eterno companheiro de letras náuticas, Tonico Souza Mello, o herói que edita a Revista Velejar e Meio Ambiente, lançou maravilhoso livro sobre os “Clássicos do Iatismo”. Sucesso absoluto!

 

O Match Race viu o seu crescimento continuar desde que o gênio de Enio Ribeiro e Alan Adler “inventou” o Match Race Brasil há quase uma década. Com a introdução do match feminino como disciplina olímpica, a coisa pegou fogo entre a mulherada e hoje o Brasil já começa a colher os frutos do investimento feito nelas. Se ainda não chegamos a conquistar títulos ou mesmo a vaga olímpica, o panorama é promissor e posso quase garantir que é apenas questão de tempo. Bem, basta dizer que a tricampeã mundial, Lucy Macgregor, está virando ‘freguesa’ de Juju Senfft… Entre os homens o cenário é um pouco diferente. Nossos melhores especialistas, Henrique “Gigante” Haddad, o sul-americano melhor colocado no ranking da Isaf,  e Daniel Glomb, nem são tão especializados assim e não se dedicam integralmente ao match. Os eventos, como o já citado, profissa, delicioso e consolidado Match Race Brasil e até o simpático match race na lagoa dos Ingleses em Minas Gerais, vão se multiplicando e o fato da regata barco contra barco ser bem simples de se entender pela plateia e mídia, faz com que a disciplina cresça. Destaque para o Veleiros do Sul, em Porto Alegre, que no programa de solidariedade olímpica, trouxe os barcos olímpicos Elliott 6M, sediou torneios importantes, como a Nation´s Cup, e virou centro de referência do cone sul em termos de Match Race. Gauchada de sucesso!! Uma ilha de nome Nelson sempre na vanguarda também!

 

Em termos de Vela de Altura (ou offshore para os anglofônicos desesperados), aquela que, não escondo, é a preferida deste navegador, o ano, como acontece há tempos, foi quase um desastre. Claro que a sempre linda Refeno, a Regata Recife-Fernando de Noronha, foi sucesso novamente com a presença ilustre de Torben e Andrea Grael no Índigo, o fita-azul nos monocascos (na cola do multi, sempre ele, Ave-Rara) e a tradicional Santos-Rio também atraiu aqueles 20 e poucos barcos de sempre. Mas enquanto o Brasil achar que regata de 300 milhas de través ou de 200 milhas retas é prova de vela oceânica de verdade, estaremos fadados ao fracasso eterno. A iniciativa de Plínio Romero e João Lara Mesquita, ainda na Eldorado FM, de fazer a Vitória-Trindade-Vitória, com suas 1.300 milhas foi um alento que durou pouco. Estamos formando gerações inteiras que acham que regata longa é ir até as ilhas Maricás ou a Alcatrazes. Ridículo!! Sem falar que há anos somente os estrangeiros participam da Buenos Aires-Rio. E pensar que nem tão antigamente assim as regatas médias do Circuito Rio vinham até Cabo Frio montavam a ilha dos Papagaios e voltavam. E tinham uma que montava o Montão de Trigo em Santos e a ilha de Santana em Macaé(!!)… Claro que a disponibilidade de tempo do mundo moderno mudou, mas não justifica o assassinato de um ramo inteiro da Vela nacional.

Enquanto no cenário internacional surgem cada vez mais provas (em duplas, tripuladas, solitário, Pro-Am, de Open 60, Classe 40, Multicascos, etc., etc.) aqui a coisa está muito mixa e só tende a piorar. Salvo a honrosa exceção de Joca na VOR e daquele que elegi como o Velejador do Ano de 2011 (elegi sozinho, democraticamente, em votação e cédula única) o baianinho gostoso com sabor de pastel chinês Kan Chuh, nosso herói solitário na Mini-Transat, o Brasil é incapaz de produzir um nome ou tripula para correr as Transats, Transpacs, Sydney-Hobart, Middle Sea Races, Cliper Races, Global Ocean Races, Barcelonas, Solitaire du Figaro, Fasnets, Vendée Globes, circuitos de Mini 6,50, Chigaco-Makinac, Newport-Bermudas da vida! Só para citar algumas… Algumas mesmo!! Nem que fosse a Fremantle-Bali, com suas 1440 milhas! Alô meu povo, alguém aí se habilita a fazer uma ABVA – Associação Brasileira de Velejadores de Altura? Tô dentro!

Bem, lá nas gringas a coisa bomba. E além dos grandes eventos como a própria Volvo Ocean Race, a Barcelona Race, Rota do Rum, Transats, a Jacques Vabre e a B to B, e a Clipper Race, p.ex., temos as sempre interessantes e alucinantes tentativas de quebra de recordes. Neste momento o maxi-tri de Loïc Peyron, Banque Populaire V, está aniquilando o recorde mundial absoluto de volta ao mundo a vela, o Troféu Júlio Verne, com mais de 3 dias de vantagem sobre o tempo anterior do Groupama 3 de Franck Cammas (os já incríveis 48 dias e 7 horas). Vamos velejar no marzão alto em 2012?

 

E do mais aberto ao mais fechado… A Vela de Rádio-Controle que sempre tem muitos aficionados e ajuda a aprimorar a tática de muita gente, quase não teve notícias em 2011. Por minha culpa, ou da ausência dos nossos principais informantes, como o Adinho, de Nikiti e o Nicareta, de Brasília, nós ficamos meio órfãos. Alô (des)controlados!! Mande notícias para este Manza em 2012!! Já a Vela Virtual vai bem, obrigado. Nosso mestre dos magos, Roberto Negraes, está arrebentando no “joguinho” da VOR Virtual que de jogo não tem mais nada e distribui premiações que chegam a um automóvel 0 km e na esteira dele milhares de outros brasileiros participam da regata. Bem legal e uma boa aula de meteorologia oceânica!

 

Por fim, em uma categoria à parte, temos a Copa da escuna América, a famosa America´s Cup que viu 2011 iniciar a ACWS – America´s Cup World Series, sua série de atos preparatórios para a copa propriamente dita nas águas de São Francisco em 2013. Como o amigo sabe, mudou tudo. Em 2013 serão maxi-cats de 72 pés e por enquanto a coisa rola nos irmãos menores de 45 pés, todos com velas-grande do tipo rígidas como a asa de um avião. A despeito do evidente embaraço que os multicascos representam para a prática do match race e do formato a princípio um pouco estranho das regatas e percursos, o balanço final foi positivo. O evento, capitaneado pelo bilionário Larry Ellison e seu assecla Russell Coutts, retomou seu prestígio como o principal da Vela mundial (Com a VOR deste jeito então…) e voltou a atrair o melhor da nossa “indústria” e dos talentos disponíveis.

A cobertura de TV, um dos pontos-chave da proposta dos ianques californianos, realmente está impressionante e as imagens dos catamarãs capotando (que antes vinham da antiga iShares, hoje eXtreme Series, de EX40, que promete etapa no Brasil em 2012) sempre agrada a audiência leiga (tem um vídeo no www.murillonovaes.com  sensacional com isso tudo). Resta saber se realmente os cats maiores vão funcionar e ver quantos times realmente continuarão no longo termo em tempos de crise financeira no cerne do mundo capitalista. De qualquer forma, os italianos do Luna Rossa/Prada resolveram aderir e sempre há uma possibilidade de Torben (ou até mesmo Robert) se juntarem a eles para a 34ª Copa América. Tomara!!

 

Bem, o fato é que aqui chegamos e deixo você com um “Entre Aspas” especial. O manjadérrimo poema do Drummond que sintetiza melhor que ninguém esta linda mania que nós humanos temos de fatiar o tempo para renovar nossas próprias esperanças.

“CORTAR O TEMPO

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”

Carlos Drummond de Andrade

 

Feliz tudo para você, meu amigo!! Um ano de muito sucesso e alegrias!!

Murillo Novaes

 

Resumão a milhas e milhas… Recorde, VOR, Perth, Clássicos, eXtreme e mais, mto mais!!

Olá querido amigo e lindíssima, gostosíssima e queridíssima amiga,

Transmitindo direto da cangurulândia (ou seria moscolândia? Meu deus, como tem moscas aqui!), no lado oposto do planetinha azul, onde nas águas límpidas e frias de Perth, na verdade, de Fremantle né, vai rolando o campeonato mundial unificado das classes olímpicas da Isaf, vamos aproveitando que hoje é domingo, meu aniversário de 42 anos e…. Trabalhemos, pois!!  Bem, você sabe que tenho um prazer enorme em informar os amigos (e com prazer é mais caro, hein!) então façamos como naquelas promoções bregas de lojas populares: o SuperManza Magazine faz  aniversário e quem ganha o presente é você! Segue resumão… Rápido!

E comecemos pelo rio Swan aqui nesta bela Fremantle de Deus, que viu o Kookaburra III deixar suas águas para perder a Copa América de 1987, no ventão local, a superbrisa de sudoeste chamada carinhosamente de Fremantle Doctor, para Dennis Conner no Star & Stripes 87. O local tem história! Pois bem, no belo e referido rio que se junta ao mar neste majestoso lugar, as meninas do nosso time de match race abriram os trabalhos da EBV – Equipe Brasileira de Vela no megaevento que junta quase 1400 atletas de mais de 80 nações e dispõe a elas (às nações, não aos atletas) 75% das vagas no torneio olímpico de Londres 2012 a ser disputado em Weymouth. Ontem as primeiras a cair na água foram Renata Decnop, Larissa Juk e Gabriela Sá. O desempenho foi acima do esperado, já que o trio venceu uma, contra o Canadá, e perdeu dois matches, justamente para as equipes mais fortes do grupo, que são Eslovênia e Estados Unidos. Já hoje, no outro grupo das fêmeas matchracers, Juliana Senfft, Fernanda Decnop e Luciana Barros correram uma e venceram sobre a peruana Tania Zimermann. Na raia, dentro do porto de Fremantle, na barra do Swan, o ventos sempre rondados e paradoxalmente fracos nestes dois dias deixaram tudo mais tenso entre a mulherada. Amanhã tem mais!

E como tem… Além da galera da TPM (Tensão Pré-Match Race), teremos ainda a gloriosa estreia da prancha RS:X feminina, Laser Radial (olímpico é só feminino…), 470 dos machos e Finn, que é, por definição, barco pra macho, convenhamos. Depois eu conto como foi! E, claro, no www.murillonovaes.com , à bombordo na home, tem a reprodução dos últimos tuítes que sempre são uma boa maneira de se atualizar. Fique ligado!

Bem, mas como não é só na Austrália que se veleja e como diria Einstein: o espaço-tempo é relativo, vamos às outras novidades que são muitas, boas e sempre nos interessam. Dentre elas, já vou enaltecendo o grande evento que rolou em Búzios no final de semana passado, a 6ª Regata de Clássicos. Por lá, no ventão leste de quase 30 nós nas rajadas (detalhe apocalíptico: com chuva), os velhinhos, barcos e tripulantes, se safaram bem. A festa no ICAB, como sempre, foi de primeira e para engrandecer tudo, estava lá o nosso áureo e corajoso empresário Antonio Luiz de Souza Mello, vulgo Tonico da Velejar, o intrépido proprietário da única revista de Vela do país, lançando o seu maravilhoso – porque belo, rico e informativo – livro ‘Clássicos do Iatismo’, um volume que resgata a história de algumas das mais preciosas joias históricas de nossas águas, um pouco da história de nosso esporte e também – Por que não? – o próprio papel central que Tonico tem na Vela nacional. Arrebentou! Na água, apesar da festa, muita disputa e na categoria F, o belo Lady Lou do comandante Torben Grael, atrapalhado pelo navegador da nave (euzinho mesmo!) só ficou com o vice, atrás de Pedro Paulo Couto no não menos belo Viva. Viva!! Mas teve muito mais, confira no site.

Ainda no topo de nossa cartinha-resumo, falemos da Volvo Ocean Race 2011/12. Como você já sabe… Terminou!! E terminou bem para a torcida verde e amarela a primeira etapa da VOR. O Telefônica do papai Joca Signorini e do Diretor Técnico Horácio Carabelli não quebrou nada (nem o recorde do Ericsson 4…) e chegou são e salvo com autoridade, quase 200 milhas à frente do segundo, o Camper, para vencer na Cidade do Cabo. Em terceiro, e último, há que se dizer, veio o Groupama. O resto chegou de navio (que anticlímax!). Sanya, que está fazendo uma plástica na proa, e Azzam, já estão no cabo. Puma, cuja tripula, à toa, ficou jogando golfe em Tristão da Cunha, ontem foi içado para o vaso salvador que o levará à africana vila da regata. Que os deuses sejam generosos com o resto da prova!!

Bem, como você está careca de saber (né, Xandi Paradeda?) lá no humilde sítio deste escriba (www.murillonovaes.com) tem uns videozinhos bem legais. Entre eles alguns da referida VOR, um bem bacana do maxi-tri Banque Populaire que está querendo quebrar o recorde da circunavegação e outro mais legal ainda de nosso herói Kan Chuh surfando na Mini-Transat. Clica lá!

E por falar no banco popular dos gauleses, a galera está muito bem na tentativa de tirar das mãos de Franck Cammas o Troféu Júlio Verne, peça que repousa na estante daquele que for o mais rápido ao redor do planeta. Enquanto a tarde já ia neste oeste australiano deste domingo de festa mânzica, os caras do Banque Populaire V simplesmente pulverizaram em mais de 2 dias e 15 horas o recorde anterior de Ouessant (Ushant) ao cabo da Boa Esperança, do rival a ser batido Groupama 3. No passo que estão, a quebra do recorde é questão de tempo (Frase infeliz. Quebrar recordes sempre é questão de tempo, não?…). Se não quebrarem nada pior antes, como o barco, por exemplo… Sinistro!!

Ainda lá no nosso pequeno minifúndio informativo o dileto leitor e amigo poderá travar contato com outras novas. Dentre elas, por exemplo, a vitória antecipada do Fram na RGS A na Copa Suzuki Jimny em Ilhabela. Fruto de intenso treinamento e da paciência de ir para a raia sempre algumas horas antes da regata para treinar e treinar. Merecem! Tem também os 70 anos do Clube dos Jangadeiros em Porto Alegre, um celeiro de talentos que tem aqui em Perth, por exemplo, 3 tripulas na EBV. Parabéns!! Por lá ainda você encontrará a história da Transat B to B que larga amanhã em St. Barth rumo à França e serve de treino e qualificação para a vindoura Vendée Globe e volta para os Open 60 que correram a Transat Jacques Vabre. Detalhe que ontem o PRB, de Vincent Riou, já venceu uma regatinha exibição lá nas caraíbas… Fera!! E por falar em St. Barth, o novo paraíso caribenho das celebridades internacionais já tem na sua Semana de Vela, o 3º maior evento vélico da região. Em abril de 2012 rola de novo! Vamos?

Seguindo nas principais novidades do sítio, temos ainda a Clipper Race que largou hoje em Tauranga, NZ rumo a Gold Coast, Austrália (detalhe: a costa leste fica a 5 horas e meia de voo daqui de Perth… Caraca!) e que já tem o barco da próxima edição, saído das pranchetas do sempre competente Tony Castro, sendo produzido. É um 70 pés bem legal! Ainda no oceano, largou a 2ª perna da Global Ocean Race em Cape Town rumo a Wellington, NZ, e como a proximidade com as equipes da VOR hoje em dia é algo complicada, os alemães do Classe 40 Hayai já perderam o mastro. Ai ai!! Temos ainda a última etapa da eXtreme Sailing Series de eXtreme 40 em Cingapura e a galera já se preparando para 2012, quando possivelmente teremos regata e tripula brasuca na parada. Uhuuu!! E para finalizar uma notinha do Ibero-Americano de Match Race que rolou em Porto Alegre no domingo passado, no Veleiros de Sul. Por lá a equipe de Renata Decnop derrotou na final justamente a galera de Juju Senfft (os dois times que nos representam aqui no Mundial) e entre os homens, a tripula de Samuca Albrecht venceu. Boa!!

Como o futuro também interessa, lá no www.murillonovaes.com você fica sabendo do que nos espera. Como, por exemplo: o verão de Snipe em Ubatuba; o recém lançado Cruzeiro da Costa Fluminense da ABVC, a tradicional regata de clássicos (e modernos também…) Preben Schmidt no Rio ‘Sailing’ yacht Club em 17/12; o Circuito Rolex Atlântico Sul (ORC, S40, etc.) a partir de 14 de janeiro e a Sidney-Hobart, que já tem 96 inscritos e larga dia 26/12. Ufa!!

Por fim um “Entre Aspas” de aniversário sobre o tempo. “Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem”, Marcel Proust.

Fui!! Tique-taque… Tique-taque… Tique-taque…

Murillo Novaes

 

 

Resumão grandão com muitão: VOR, TJV, Mini, Match, Star, OP, C. Rio, Lars, AC, Isaf e muito mais!!

Buon giorno carissimi amici miei,

Direto de Milão, na outrora chuvosa e fria e hoje ensolarada e fria Lombardia, depois de um périplo glorioso até Cambiano, nas bordas de Turim, onde esta criança feliz encontrou o novo amiguinho de infância, Paolo Pininfarina, na maravilhosa fábrica de velozes chocolates vermelhos (e barcos, escovas de dente, computadores, malas, cafeteiras, roupas e até aviões), vamos retomando o resumão porque a coisa no planeta Vela está frenética e como diria Cazuza, o tempo não para.

Sem mais delongas, vamos atualizando o amigo com a VOR 2011/12. Naquela piccola flota (Ai, estou tão italiana hoje… Aff!), de fato a menor de todas desde 1973, quando a coisa toda ainda se chamava Whitbread, já estávamos achando meio complicado torcer, imagine agora que só temos quatro barcos em atlântica disputa pelos preciosos pontos da primeira etapa euro-africana? Enfim… Segue a carruagem! Bem, de fato, neste exato momento destas linhas que lês, já são cinco barcos, porque nosso amigo Ian Walker e sua tripula no Azzam já estão oficialmente de volta ao jogo. Apenas 840 milhas atrás do líder, mas tudo bem! E por falar em líder, não é que o Groupama colou na costa africana, passou quase na varanda do sheik de Agadir e agora enquanto navega no canal entre as Canárias e o continente negro, na matemática complexa do cérebro eletrônico da organização, aparece na frente do Telefonica, 500 milhas a oeste, nada menos que 111 milhas à frente? Caraca! A dupla Cammas-Nelias está dando show nas cartas, náuticas e do baralho, por enquanto. Ousados! Mas tem muita água até Noronha (que não é mais gate, porque isso foi abolido, mas apenas uma marca do percurso) e de lá para a Cidade do Cabo. Veremos! Sempre lembrando que no www.murillonovaes.com tem sempre as últimas e no canto esquerdo (bombordo, oeste, poente) a reprodução do Tuíter mânzico que, assim como a roda da lusitana, não para de girar. Se liga!

E só para manter o mote, foi lá na VOR que Iker Martinez e Xabi Fernandez comemoraram o recebimento da honra máxima da Isaf, o Rolex Isaf Sailor of the Year. Já Anna Tunnicliffe estava em San Juan, Porto Rico, para receber pela segunda vez na vida o troféu e o relógio. Anna, medalha de ouro em Pequim no Laser Radial e campeã mundial na mesma classe, mudou para o Match Race feminino e continua vencendo tudo. Já a dupla espanhola, você sabe, são os reis do 49er com medalhas, mundiais, etc  e ficaram em segundo na Barcelona World Race, a regata non-stop, em duplas, de Open 60. Todos merecem! Parabéns!

 

Bem, além do volvícos amigos que em pequeno número fazem a nossa alegria nesta primavera no sul do globo (aqui na eurocentria, outono), temos uma pletora de outras regatas rolando na redondinha nave azul que a tripula de 7 bi faz questão de destruir. Só para falar nos oceanos, a tal Vela de Altura, temos: Global Ocean Race, de Classe 40 em duplas que largou de Maiorca e cuja flotilha de 6 naves está agora, o último chega hoje, na Cidade do Cabo e ruma, no dia 27, para Wellington; Clipper Race, a super pro-am oceânica de Sir Robin Knox-Johsnton que parou no Rio e agora está na 4ª perna, de Geraldtown, Austrália, para Tauranga, NZ, com 10 times de amadores com seus skippers profissionais no comando, sendo que Richard Hewson, do Gold Coast Australia, que lidera agora, ganhou tudo até aqui; A Transat Jacques Vabre, que reúne duplas nas classes Multi50, Classe 40 e Open 60, entre Le Havre, na França, e a Costa Rica (já foi Salvador, alô autoridades!!) que tem na liderança geral – só dois multicascos ainda navegam depois da carnificina atlântica que tirou 14 barcos no total –, os vencedores da supracitada Barcelona World Race, Jean Pierre Dick e Jeremie Beyou, no Open 60 Virbac-Paprec, a 2500 milhas da chegada; temos ainda a Mini-Transat cujo vencedor naquele protótipo estranhíssimo, David Raison, você viu aqui em primeira mão e cujo herói sino-baiano Kan Chuh ficou em 21º geral entre os barcos de série. Ontem chegaram os últimos e a flotilha, fora os abandonos, está completa em Salvador.

Como é do seu inteiro, absoluto e total conhecimento é lá no www.murillonovaes.com que estão estas e outras do nosso esporte/vício/paixão/necessidade. Por lá temos também os já famosos vídeos que fazem sempre sucesso. Um particularmente é imperdível. Nosso querido amigo, ex-Brasil 1, que nos lê de quando em vez porque é galego e fala aquela mistureba deliciosa de português e espanhol, Roberto “Chuny” Bermudez estava faceiro dando uma entrevista no Camper, àquela altura líder da VOR e… Puf! Tomou um tombaço pra sota, de dar dó. Tá lá no sítio! Entre outros…

E por lá também a vitória, no Circuito-Rio, do S40 Pajero, de Eduardo Souza Ramos, na ORC, na IRC e no Bico de Proa (e demais resultados, claro), onde o pequeno San Chico 2 se sagrou campeão brasileiro de ORCi; Robert Scheidt e Bruno Parada vencendo o Hemisfério Sul de Star no ICRJ; Dino e Maguila faturando a Royal Thames de Star no mesmo ICRJ; A galerinha optimista que ganhou o Fluminense de Optimist no Rio “Sailing” na gloriosa Niterói; o lançamento mundial do canal virtual Isaf TV com tudo de Vela; os resultados da Regata Mormaii em SC; a AR da última etapa da Copa Suzuki Jimny em Ilhabela; Xandi e Kieling campeões no Gaúcho de Snipe; Bebum e Dante liderando do Fluminense de Snipe, que continua neste final de semana; O novo TP52 saído das pranchetas de Marcelino Botín; a vitória do Angela IV, de Henrique Dias, no Brasileiro de J/24 em Porto Alegre; a vitória de Luciano Guberth no Paranaense de Laser e a volta do Time Luna Rossa na Copa América. Será que Turbina vai taticar multicascos? Tomara!

Por falar na graelada, o novo ministro do Esporte, do mesmo PC do B de sempre, Aldo Rebelo (que este Manza grafou como Rabelo há dois resumões passados. Sorry!) teve conversinha com Lars Grael e houve um pequeno frenesi midiático dizendo que nosso amigo iria reassumir cargos de direção na burocracia federal. Nada disso! O esclarecimento de Lars está no nosso pequeno, porém muito produtivo, sitiozinho virtual na Internet de meu Deus.

Por fim, uma que merece destaque especial, pois envolve muitas gatas. E que gatas! As duas equipes brasileiras que buscarão uma vaga no Match Race feminino da Olimpíada de Londres foram anunciadas neste domingo no Veleiros do Sul. A definição veio no último dia da Clínica Avançada que teve a presença da técnica e velejadora norte-americana bicampeã mundial na modalidade Sally Barkow.As equipes que terão a incumbência de garantir a participação do Brasil em 2012 são: Comandante Renata Decnop, trimmer Gabriela Sá e proeira Larissa Juk; Comandante Juliana Senfft, trimmer Fernanda Decnop e proeira Luciana Kopschitz. Do grupo de nove velejadoras olímpicas que participavam do projeto saíram: Juliana Mota, Marina Jardim e Tatiana Almeida. Peninha! O anúncio veio num clima de alegria e tristeza para as meninas do match race. Houve duas reuniões e a decisão não foi fácil para a comissão técnica formada por membros da Confederação Brasileira de Vela e Motor, Comitê Olímpico Brasileiro e do Núcleo de Vela de Alto Rendimento do Veleiros do Sul. Muito difícil decidir sonhos e futuros… Casca grossa!

Agora as match-meninas superpoderosas e os demais membros da EBV – Equipe Brasileira de Vela, vão para Perth, de 3 a 18 de dezembro, no Mundial unificado das Classes Olímpicas tentar as vagar para o Brasil em Londres 2012, na verdade, Weymouth né… E este escriba globetrotter, se tudo der certo (obrigado pelo convite de trabalho, CBVM!), estará lá como assessor de imprensa da galera.

Partindo, vamos de “Entre Aspas”  lusitano já que amanhã parto pra lá e no domingão, para Cabo Frio: “O comboio abranda, é o cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão”. Fernando Pessoa

Fui!! Inconcluso…

Murillo Novaes

Extra!! Resumo-largada da VOR 2011/12

Só para ilustrar... Chris Hill registrou o exato momento que a lenda do surfe havaiano Laird Hamilton pula do 'Puma' depois da parte "costeira" da largada de hoje. Esses sabem marquetar...

Querido amigo e queridíssima amiga,

Como você sabe, este Manza está aqui na antiga cidade romana de 3.000 anos, a tal Alicante, no Mediterrâneo espanhol como convidado da Inmarsat e da organização da regata (nenhum, repito, nenhum brasileiro teve a gentileza de trazer este jornalista… Sorte que hoje meu trabalho tem algum reconhecimento internacional!) para cobrir mais uma largada rumo aos confins do planetinha azul. E que largada!

Bem, vamos abstrair o fato de que seis barcos é pouco para um evento deste porte. Mesmo porque, o Sanya, na verdade o antigo Telefonica Azul, não dá muito para o gasto junto as estes VO70 de 6ª geração. No time chinês, Mike Sanderson, que estreou a classe no imbatível Black Betty, o ABN AMRO1, em 2005/6, vai margar um pouquinho. Nos instrumentos, o navegador Aksel Magdahl, do antigo Ericsson 3, que na última surpreendeu meio mundo (incluindo este jornalista metido a navegador também…) quando em um gesto ousado descolou da flotilha, contornou uma frente pelo Norte, enquanto o rumo era pro Sul, e fez a fama que garantiu seu emprego chinês de agora. Mas haja criatividade! Vai ser duro!!

Na outra ponta do espectro, vêm os cinco times que se preparam com igual (quase!) orçamento, tempo, vontade e esperança. Das pranchetas competentíssimas de Juan K, com quem tive o prazer de bater um bom papo ontem, saíram três dos bólidos que hoje rumam para o cabo de Gata, de lá para as colunas de Hércules (Gibraltar), mais além para Noronha e finalmente para o Sul da África do Sul. O cara desenhou o Telefonica, o Puma e o Groupama. Dentre eles, os mais modernos são os dois primeiros, deixando os franceses, apressadinhos, que resolveram construir a nave antes, sem alguns dos recursos mais recentes.

Não é preciso dizer que o coração mânzico-tupiniquim bate mais forte pelo time azul-espanhol. O futuro papai Joquinha e o diretor técnico, que não para de atender telefonemas e mandar mensagens, Horácio Carabelli, são parte do núcleo duro da equipe. E o jovem comandante Iker Martínez, 34 anos, duplamente medalhado na olímpica 49er, tricampeão mundial e vice-campeão na duríssima Barcelona World Race em dupla com seu inseparável Xabi Fernández, de Open 60, sem escalas pelo mundo, é um cara, para usar o termo da moda, diferenciado. Meu avô diria apenas: diferente… Mas vá lá! O fato é que o barco tem segredinhos que não conto nem amarrado (comparem, por exemplo, a parte de baixo das bolinas e o espelho de popa…) e uma tripula experiente e entrosada que sabe fazer a diferença quando necessário. No escrever destas mal traçadas, os cara já estavam à frente da flotilha. Que permaneçam assim!!

O Puma é outro sério candidato. Se seu comandante, Ken Read (o famoso, pode ler!), vice de Torben e cia. no passado recente e estrela da J/24, está um degrauzinho abaixo dos colegas de comando Iker e Ian Walker, sua tripula, em conjunto, está um degrauzinho acima. E, sinceramente, junto a Walker parece o mais determinado a vencer. Mesmo porque, diferentemente do irlandês, agora almirante árabe, com duas pratas olímpicas, de 470 e Star (detalhe que hoje assisti a tudo ao lado de seu proeiro estrelado, Mark Covell no barco da Inmarsat), Read terá o ápice de sua carreira se vencer a VOR. Veremos!

Par finalizar a flotilha da letra K, temos o supra citado Groupama, que traz no comando ninguém menos que Franck Cammas (que é baixinho de um tanto que você nem acredita… Tipo metro e meio no máximo…). Pois o cara é um gigante no oceano. Além de deter o recorde absoluto da volta ao mundo à vela, o Troféu Júlio Verne, com incríveis 48 dias no máxi-trimará homônimo do time volvíco, ele, no mesmo trimarã adaptado para solitário, venceu a última Rota do Rum. Isso, acrescido do fato de que os franceses (e seus fãs pelo mundo afora) se consideram os melhores velejadores de altura (offshore, ô anglófilo!) do globo, faz com que o fato dos cinco gauleses presentes, e seu líder, tenham a enorme responsabilidade de mostrar que são os varões do universo mesmo. A conferir!

Completando os times, temos o único desenho de Bruce Farr na prova, o Azzam, do time de Abu Dhabi, que parece que de tanto apanhar do argentino Señor K resolveu deixar a teimosia de lado e buscou fazer um barco mais potente, estável e que já mostrou grande potencial nos ventos fracos da in-port de acá. Ah… E os dois lemes, embora ainda sejam menores que os dos outros, cresceram bem em relação à dupla de Telefônicas de 2008/9. Mas nada disso seria tão importante se não fosse Ian Walker e sua tripulação em cima do barco. O cara veleja muito (provou isso no Green Dragon de antanho), está motivadaço e com os petrodólares emirados fluindo como um jorro no deserto, o time tem tudo para dar certo. Fora que os gráficos do barco negro com a águia nas velas são, junto aos do Puma, os mais bonitos da nova galera. Bonito!

Por fim, temos os hispano-kiwis de Chris Nicholson no Camper. Barco este que é, de longe, o mais diferente da flotilha. Meio na encolha ontem testemunhei um diálogo interessantíssimo de Horacinho com um dos engenheiros do escritório de Marcelino Botín e pelo que pude depreender na minha santa ignorância, o barco dos caras tem muito mais volume à vante, o que na merreca e nas águas lisas ajuda, mas nos ventos mais fortes e mar com ondas altas atrapalha. Bem, hoje a disparada que eles deram no ventão terral (forte, mas sem ondas) me pareceu mais que ok. Agora, já em 5º na tabela, só batendo o ‘café com leite’ Sanya, e sabedores que as mediterrânicas condições lá no mar de meu Deus são assustadoras neste momento, já penso que entendi certo. Saberemos! A acrescentar apenas o pé frio do comandante australiano que veleja no Team New Zealand. Nas duas últimas VORs o cara quase afundou no Movistar e depois sofreu um rompimento de ligamentos no Puma passado quando um companheiro arremessado por uma onda caiu em cima do joelho, que não foi mole não. Saravá meu pai!!

E para finalizar esta cartinha que virou um cartão, vamos aplaudindo a ideia de nosso amigo CEO da coisa toda, Mr. Knut Frostad, que reuniu, sob a égide da tal regata das lendas, uma flotilha de antigos competidores e vencedores destes quase 40 anos de volta ao mundo que vou te contar! Uma aula de história de vela, aventura, design e tudo mais no píer bem em frente de nossos olhos. E para minha alegria cito a Inmarsat de novo para dizer que ao meu lado no catamarã deles (o único a acompanhar os VO70 em disparada rumo a Santa Pola) meu ídolo das letrinhas vélicas James Boyd e ninguém menos que ela, a simpaticíssima viúva de Peter, Lady Pippa Blake em pessoa. Na Iate Life 35 leia entrevista com a moça.

Fui!! Comer pimientos de padrón…

Murillo Novaes

Vídeo: Puma velejando na largada da VOR 2011/12

Resumão: Segunda, na terça! VOR, Pan, recordes, gaúchos, Mini e mais…

Olá querido amigo e queridíssima amiga,

Ainda modulando do covil no cabo, hoje além de frio, chuvoso, vamos atualizando o amigo com esta pequena cartinha-resumo do que está lá (você está careca de saber!) no sítio, no Face, no Tuíter e sabe lá Deus em que mais meios digitais existentes… Com o passamento do inventor da maçã, todos os cultores do lifestyle hi-tech designed in California, assembled in China, estão órfãos. Eu também e homenageio o gênio criativo do Estevão Trabalhos, mas fica só um toque aqui para manter a fama de independente deste jornalista. Bonito, bonito mesmo é o código aberto e democraticamente compartilhado, não é não? Voltemos ao mar..

Lá em Alicante, na terra de el Rei Juan Carlos, foi justamente o time local, Telefônica, que venceu a regata qualificatória da VOR. Joca a bordo, Horácio em terra, a alma verde e amarela, com matizes celestes da república oriental, brilhou nesta primeira contenda entres os 6 (apenas…) barcos que se lançarão aos sete mares. O novo time de Ian Walker (medalhista olímpico, comandante do Green Dragon na última), o Abu Dhabi, deu uma motoradinha de leve na volta de Maiorca e agora tem até dia 21/10 para refazer as 111 milhas ‘ilegais’, à vela. Walker concordou e ainda tirou onda: “vai ser bom para testar nossas velas novas longe da concorrência e o sistema de comunicação com a gerência da regata”, disse ele referindo-se, claro, ao fato de ter avisado por rádio que iria ligar o possante e ninguém, àquele tempo, tê-lo advertido que não poderia. Bem, a tal regata além do evidente apelo de marketing e de servir de teste para que os barcos novos se meçam uns contra os outros, também funcionou como treinamento de segurança inclusive com manobras de homem ao mar. E nossa galera venceu!! Ótimo!!!

Já na outra ponta do espectro vélico, os velejadores da nossa equipe Pan-Americana, embarcaram para Puerto Vallarta, no México onde pretendem novamente vencer o torneio na modalidade como bem lembrou Lars Grael em boa entrevista à rede Record (que vai transmitir o Pan, a Vela não sabemos…). O escrete canarinho conta com os seguintes craques: Hobie Cat 16 Bernardo Arndt e Bruno Oliveira; J/24 Maurício Santa Cruz, Alexandre Saldanha, Daniel Santiago e Guilherme Hamelmann; Laser Bruno Fontes; Laser Radial Adriana Kostiw; Lightning Cláudio Biekarck, Gunnar Ficker e Marcelo Batista; Snipe Alexandre Tinoco e Gabriel Borges; Sunfish Matheus Dellagnelo; RS:X masculino Ricardo Winicki e RS:X feminina Patrícia Freitas. A gaúcha Marthinha Rocha será a chefe da delegação. Sucesso!!

Bem, lá no www.murillonovaes.com tem também um monte de outras coisas. Além dos vídeos bacanas de sempre, tem um excelente do Francesco Bruni (ítalo-estrela que foi tático do uruguaio Negra, bicampeão da Mit Sail Cup no S40) que tomou uma retrancada histórica e foi parar na água, no World Match Racing Tour nas Bermudas. Vale o clique! Tem também as fotos maneiras de sempre as notícias da Regata da Marejada em SC, vencida pelo Catuana Kim na ORC, da super pro-am circunavegante, a Clipper Race, em que o Gold Coast Australia, vencedor das duas primeiras pernas, já lidera a terceira etapa, entre a Cidade do Cabo e a… Austrália!!

Rolou também o Estadual de Monotipos RS e os campeões gaúchos de 2011 foram: Laser standard Adrion Santos (VDS); Laser radial André Passow (VDS), Laser 4.7 Andrei Kneipp (CDJ); Hobie Cat 16 Mário Dubeaux/Karoline Bauermann (CDJ); Hobie Cat 14 João Felipe Kraemer (CDJ); Dingue: Rubens Ribeiro / Miriana Gomes (VDS) e Soling George Nehm, Marcos Pinto Ribeiro e Fabio Santarosa (VDS). Ou seja, a Faixa de Gaza do Guaíba continua ativa e Jangadeiros e Veleiros na disputa de sempre. E depois de amanhã nosso herói solitário, Mr. Chuh vai partir na segunda perna da Mini Transat em Funchal rumo à sua Bahia. Ah… E Loick Peyron já definiu a tripula com a qual pretende ganhar o Troféu Júlio Verne, o recorde absoluto de volta ao mundo a vela, no agora ‘seu’ Banque Populaire V. Veremos!!

Bem, você sabe que o seu clique no sítio sempre será benvindo e é por lá mesmo que vão rolando as novidades. E no tuíter e no CaraLivro (FaceBook na língua de Shakespeare onde agora basta assinar o perfil deste Manza para acompanhar as novidades) e nesta pequena missiva resumística que preenche aquela lacuna que você tanto queira. Esse papo de preencher lacuna que tanto queria, sei não…

E isso aí bicho!! Fico em QAP no 16… Clica lá no www.murillonovaes.com e boa viagem

E por fim, o ‘Entre Aspas’ de segunda, na terça:

“Se eu não vejo a mulher que eu mais desejo, nada do que eu veja, vale o que não vejo”, do poeta provençal Bernard de Ventadorn que no século 12 já sabia das coisas.

Fui!!!

Murillo Novaes

 

 

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