Pular para o conteúdo

Posts com Tag ‘sail’

AkzoNobel quebra trilho da vela grande em jaibe a mais de 40 nós no oceano austral e fica para trás. Dongfeng lidera.

Como o amigo já sabe, em português não temos a figura do oceano austral (o southern ocean, em inglês, que livre-traduzi há muitos anos desta forma), mas isso não que dizer que as altas latitudes ao sul do Atlântico, Índico e Pacífico as coisas sejam menos severas na portugofonia. E nossa única representante na VOR, Martine Grael, sentiu na pela a força dos mares do sul.

Ontem, o VO65 AkzoNobel rompeu parte do trilho da vela grande em um jaibe (veja vídeo acima) no ventão do sul, às bordas da zona de exclusão de icebergs, onde a flotilha veleja e sente os efeitos de uma enorme baixa pressão que levou rajadas de quase 60 nós para os intrépidos navegadores vôlvicos.

Com isso o Akzo subiu para menores latitudes e se distanciou dos líderes. Mas deve voltar com tudo em breve! Por enquanto a coisa está assim na tabela:

Captura de Tela 2017-12-15 às 12.02.37.png

Vamos torcer!!

Murillo Novaes

O francês François Gabart detona recorde sobre recorde e veleja célere rumo ao Olimpo dos solitários navegadores oceânicos

w_prev_macif_1721-1460036035-lead-979x653.jpg

Levar sozinho um trimarã de 100 pés pelo Horn afora a mais de 27 nós de média é molezinha,  será??

Uma semana depois de passar o Cabo Horn, mais uma vez Francois Gabart registrou um tempo extraordinário no equador, que ele cruzou neste domingo, 10 de dezembro, às 10:35 (UTC), 36 dias, 1 hora e 30 minutos após o início da sua tentativa de recorde da volta ao mundo em solitário, em Ouessant, noroeste da França. Até agora o  caro fez uma média de apenas(!!) 27,3 nós e chegou a velejar a mais de 39 nós por alguns momentos. Simples assim!!

O comandante (e único tripulante) do trimarã de 100 pés MACIF agora tem uma liderança de 5 dias, 13 horas e 23 minutos sobre o tempo de passagem do recorde atual, de Thomas Coville, que entrou no hemisfério norte após 41 dias, 14 horas e 53 minutos. Esta performance representa o segundo melhor tempo de toda a história, com ou sem tripulação, no percurso Ouessant-Equador. Somente Francis Joyon e seus cinco tripulantes no IDEC Sport, os atuais recordistas absolutos da volta ao  mundo a vela, alcançaram marca melhor até agora (35 dias, 4 horas e 09 minutos).

Embora Francois Gabart tenha sofrido depois do Horn, em condições climáticas muito severas devido a uma baixa pressão na costa argentina, sua subida no Atlântico Sul foi excepcional. Ele conseguiu o melhor tempo geral, de toda a história da navegação a vela nos mares do planeta, com ou sem tripulação, no trecho Cabo Horn-Equador, com incríveis 06 dias, 22 horas e 15 minutos, melhorando o tempo de referência até então, da tripulação do Banque Populaire V, no Troféu Jules Verne 2011-2012, com 7 dias, 4 horas e 27 minutos. Caraca!!

Ao mesmo tempo, ele adiciona um novo recorde Equador-Equador em solitário (a ser ratificado pela WSSRC, claro) à sua lista de feitos: 30 dias, 4 horas e 45 minutos, marca que era também de Thomas Coville, com 35 dias, 21 horas e 39 minutos. .

Isso significa que ele se aproxima do seu objetivo com uma boa chance de chegar a Ouessant antes de 23 de dezembro, às 14:09 (UTC), a data e hora final para bater o recorde de Coville. No entanto, a volta ao mundo ainda não terminou, já que ele ainda tem que passar pela ITCZ (Doldrums ou Pot au Noir para os franceses), negociar bem os alísios e a alta pressão dos Açores para garantir o triunfo final.

Neste momento, com mais de 2.300mn sobre o “rival” Coville, parece que tudo caminha super bem. De todo modo, Gabart já fez coisas incríveis neste mês e pouco de singradura solitário pelo planetinha azul. Um deus do oceano! Quem viver verá!!

Murillo Novaes

Scheidt e Maguila lideram finais da Star Sailors League SSL nas Bahamas. Lars/Samuca em 11º e Torben/Madá em 23º.

328069_755698_sslnassau_dia2x.jpg

Alemão e Maguila em primeirão. Tá muito bão!!

Em busca do segundo título da SSL Finals, o bicampeão olímpico Robert Scheidt segue velejando de forma consistente nas Bahamas e mantém a liderança da competição após quatro regatas disputadas nesta quarta-feira (6), no Nassau Yacht Club. Ao lado do proeiro Henry Boenning, o Maguila, conseguiu um 11º, 4º, 3º e 6º lugares e, com essa regularidade, segurou a ponta na classificação geral, agora com 18 pontos perdidos (contando o descarte do pior resultado). Nesta quinta-feira (7), a fase decisiva da Star Sailors League prossegue com mais quatro corridas.

A regularidade para velejar sempre entre os líderes é a maior arma de Scheidt na SSL Finals, que reúne alguns dos melhores velejadores do planeta em uma disputa acirrada e de alto nível. Mesmo sem cruzar em primeiro em nenhuma das seis regatas disputadas até agora (no primeiro dia fez um 2º e um 3º lugares), o brasileiro mantém uma diferença de dois pontos para a dupla segunda colocada, formada pelos norte-americanos Mark Mendelblatt e Brian Fatih (18 a 20). Na terceira posição aparece Paul Cayard/Phil Trinter, também dos Estados Unidos, com 25 pontos perdidos.

Mesmo com o bom desempenho, Scheidt revele não ter tido um dia de facilidades em Nassau nesta quarta-feira, especialmente com a queda na velocidade do vento. “O mais importante foi termos conseguido evitar erros mais graves. Mantive-nos entre os primeiros, velejando sempre ao lado dos italianos e dos norte-americanos, mas foi difícil manter a concentração durante quatro regatas e com o vento perdendo intensidade. Superamos as dificuldades com o nosso entrosamento. A quinta-feira será um dia importantíssimo”, explicou o bicampeão olímpico de 44 anos, que tem patrocínio do Banco do Brasil e Rolex e apoio do COB e CBVela.

Além de Scheidt e Boenning, o Brasil conta com mais seis velejadores na SSL Finals. Além das duplas Torben Grael/Guilherme Almeida (23º geral) e Lars Grael/Samuel Gonçalves (11º geral), os proeiros Bruno Prada (velejando com o suíço Freddy Loof, em 10º geral) e Arthur Lopes (formando dupla com o alemão Hubert Merkelbach, em 20º) completam a lista. Amanhã tem mais! E ao vivo no: https://youtu.be/33wixMameEc

Murillo Novaes (Com ZDL)

Martine chega em quinto na África do Sul. Apenas um minuto separou sexto e sétimo colocados na segunda etapa da VOR

m107714_13-02-171125-pma-00475-9739.jpg

O AkzoNobel, que chegou a liderar a segunda etapa, chegou em quinto na Cidade do Cabo.

O AkzoNobel, obteve este sábado à noite o quinto lugar na segunda etapa da Volvo Ocean Race, a equipe teve que segurar os nervos quando o vento caiu e rondou perto da linha de chegada, com os dois barcos que vinham atrás se aproximando rapidamente a menos de 4 milhas de distância.

Não é frequente que um quinto lugar pareça uma vitória, mas, a batalha foi tão renhida com o SHK / Scallywag e o Turn the Tide on Plastic, que o skipper Simeon Tienpont estava contente. “Tivemos que lutar todo o percurso. É óbvio que é decepcionante não termos conseguido ficar no vento certo (nota do manza: tiveram que ir mais para o sul, descolando dos líderes), mas permanecemos confidentes. E tivemos uma grande competição de vela até ao final. Estou muito feliz por ter terminado em quinto,em uma chegada tão parelha”, disse o ex-demitido holandês.

Veja as palavras de Martine Grael na chegada:

 

Disputa intensa – Atrás do AkzoNobel, a etapa ainda não tinha terminado e a disputa pelo sexto lugar foi ainda mais intensa.

Na aproximação à Cidade do Cabo, o Sun Hung Kai / Scallywag, do skipper David Witt, conseguiu ganhar duas milhas sobre o Turn the Tide on Plastic de Dee Caffari. Mas já sob a influência da Table Mountain, o vento ficou muito rondado e inconstante e com isto a vantagem foi anulada.

No final, Caffari terminou em sétimo (último) a menos de 0,1 milhas náuticas – menos de 200 metros – numa etapa de 7.000 milhas náuticas. “Nós tivemos o Scallywag no nosso horizonte desde a passagem do equador, e esse resultado não é o que merecemos. Nós merecemos mais, estou triste pelos meus tripulantes”, disse Caffari.

“Nós hoje perdemos duas milhas para eles, e depois conseguimos recuperar até poucos metros. Palmas para os nossos tripulantes por terem tentado tudo, e é por isso que eu queria que o resultado fosse outro”, completou a comandante.

Witt e sua equipa suportaram o assalto final, e depois de navegar à vista do Turn the Tide on Plastic na maior parte da etapa, puderam finalmente respirar, cruzando a linha de chegada com um pouco mais de um minuto de vantagem.

“Todos estavam bem. Ninguém desistiu “, disse Witt, rindo em homenagem à sua equipe. “Nós somos sólidos. Temos garra. Temos que ficar juntos, continuar a lutar e melhorar sempre”, completou.

Com as sete equipas agora em terra, o vencedor da 2ª etapa, o MAPFRE também está no topo da tabela de classificação geral, apenas com um ponto de vantagem sobreo Vestas 11th Hour Racing. O Dongfeng Race Team está dois pontos a trás.

As equipes terão agora um merecido descanso, antes da regata In-Port de 8 de dezembro. A 3ª etapa da Volvo Ocean Race, que vai ligar a Cidade do Cabo até Melbourne, começa no dia 10 de dezembro.

2ª etapa – Resultados Provisórios – sábado 25 de novembro (Dia 21) às 00:18 UTC

  1. MAPFRE – TERMINADO – 15: 10.33 UTC – 19 dias, 01h: 10m: 33s
  2. Dongfeng Race Team – TERMINADO – 18: 02.39 UTC – 19 dias, 04h: 02m: 39s
  3. Vestas 11th Hour Racing – TERMINADO – 19: 37.53 UTC – 19 dias, 05h: 37m: 53s
  4. Team Brunel – TERMINADO – 00: 14.47 UTC – 19 dias, 10h: 14m: 47s
  5. Team AkzoNobel – TERMINADO – 21 : 24.40 UTC – 20 dias, 07h: 24m: 40s
  6. Sun Hung Kai / Scallywag – TERMINADO – 21: 55.21 UTC – 20 dias, 07h: 55m: 21s
  7. Turnthe Tide on Plastic – TERMINADO – 21 : 56.29 UTC – 20 dias, 07h: 56m: 29s

Volvo Ocean Race – Quadro da classificação geral

  1. MAPFRE – TERMINADO – 14 pontos (após a 2ª etapa)
  2. Vestas 11th Hour Racing – TERMINADO – 13 pontos (após a 2ª etapa)
  3. Dongfeng Race Team – TERMINADO – 11 pontos (após a 2ª etapa)
  4. Team AkzoNobel – TERMINADO – 7 pontos (após a 2ª etapa)
  5. Equipe Brunel – TERMINADO – 6 pontos (após a 2ª etapa)
  6. Sun Hung Kai / Scallywag – FINECIDO – 5 pontos (após a 2ª etapa )
  7. Turn the Tide on Plastic – FINALIZADO – 2 pontos (após a 2ª etapa)

Parem as máquinas! Mapfre vence a segunda perna da VOR e deve liderar a regata no geral.

Captura de Tela 2017-11-24 às 13.12.05.png

Viva España! Os vermelhinhos perseguiram de perto sempre e, claro,  ultrapassaram os rivais para vencer com autoridade em Cape Town.

O dia de sol na Cidade do Cabo acaba de testemunhar a chegada do espanhol Mapfre à frente da flotilha de sete barcos da Volvo Ocean Race, na segunda perna da regata de volta ao mundo. Aliás, a segunda maior perna da aventura também, com mais de 7 mil milhas náuticas. A maior chega em Itajaí, em Abril…

Depois de 19 dias no mar, a tripulação liderada pela estrela olímpica hispana Xabi Fernandez mostrou porque é uma das favoritas para vencer – e finalmente levar o caneco para a terra d’el rey pela primeira vez na história. Com a vitória e o ponto extra pela vitória (você não leu errado, a regra é assim agora, sete pontos por chegar em primeiro e mais um extra por ter vencido… Coisas!…) o time vermelho somou mais 8 pontos e, com 14 totais (foi o segundo em Lisboa), deve liderar a coisa toda. O Vestas deve ficar com 13pt e o Dongfeng com onze.

Leg 2. Arrivals from Lisbon to Cape Town. Photo by Ainhoa Sanchez/Volvo Ocean Race. 24 November, 2017.

O segundo a chegar na África deve ser o rival sino-gaulês Dongfeng, a 37 milhas da linha final (veja tabela abaixo), seguido do holandês Vestas, quase 25mn atrás. Nossa Martine Grael está, com seu AkzoNobel, em 5º lugar agora, mas mais de 300 milhas na esteira do 4º colocado, o Brunel. Que, por sua vez, está a 130mn da chegada.

A briga no fim da flotilha vai ser boa já que TTOn Plastic (em 6º) e Scallywag (em 7º e último) estão num raio de 6 milhas. Os três, que perderam contato com o grupo da frente, foram obrigados a mergulhar para o sul para evitar uma zona de poucos ventos e acabaram mais longe ainda dos líderes.  Como dizem em inglês, “the rich get richer”. A história do mundo!…

Fui!

Murillo Novaes
Captura de Tela 2017-11-24 às 13.15.08.png

Na hora da chegada do Mapfre a coisa estava deste tamanho no sul do Atlântico.

Marinha do Brasil resgata trimarã que perdeu o mastro na Transat Jacques Vabre. Arkema vence entre os Multi50.

image-c-1180-664.jpg

O príncipe bretão foi salvo pelos bravos homens da Marinha do Brasil. Bravo Zulu!

O barco militar brasileiro, Guaratuba, de 46 metros de comprimento – ou 150 pés, como queira –,  que deixou ontem a noite a baía de Todos os Santos, em Salvador, para ir ao encontro do desmastreado Maxi80 (competindo na classe ‘Ultime’) Prince de Bretagne, de Lionel Lemonchois e Bernard Stamm, já está levando o pássaro sem asa para o ninho baiano.

O desmastreamento do Prince de Bretagne aconteceu ontem (quarta-feira, 15/11) às 18:15 (UTC), a 93 milhas da linha final da Transat Jacques Vabre. Bem no epílogo do romance de 4,3 mil milhas náuticas entre Le Havre, na Normandia, e Salvador, na Bahia.

A jaqueira caiu a 18 milhas da costa por conta de um estai de popa rompido. Lionel Lemonchois e Bernard Stamm não relataram nenhuma causa aparente, já que navegavam em um mar calmo, em cerca de 15 nós de vento, na hora do acontecido.

“O mastro caiu suavemente, não causando ferimentos nem quebras no barco antes de se dividir em dois”, contou Stamm. Os dois comandantes (co-comandantes, se preferir) conseguiram recuperar tudo (retranca, adriças, partes do mastro, etc.). E, com o motor avariado dias antes, ficaram à deriva,  tentando conter a deriva do barco (crase cai no ENEM, hein, nênem!) de aproximadamente um nó para o S-SW (no caso, terra. Ui!) causada pelos fortes ventos de quadrante leste (E-NE). Assim, ficaram como hóstia na água um bom tempinho, se é que me entendem. O mar com ondas de um metro foi uma mãe, no entanto. Axé, yemanjá! Ici ces’t Bahia!

E na mesma TJV hoje foi dia de chegada dos primeiros colocados da segunda classe mais veloz, a Multi50.

O Arkema foi o campeão da categoria Multi50 da Transat Jacques Vabre 2017. A dupla Lalou Roucayrol (França) e Alex Pella (Espanha) cruzou a linha de chegada na manhã desta quinta-feira (16/11) após 10 dias, 19 horas e 14 minutos de regata. Em seguida – sete horas depois –, Erwan Le Roux e Vincent Riou cruzaram em segundo lugar na Multi50.

A dupla levou 11 dias 02h 51mn e 23s para viajar 4 726 milhas com uma média de 17,71 nós. E foram os segundos na segunda categoria mais veloz. Pense o Arkema!!! Ou o Sodebo que já está há três dias no porto!! Caraca!!

Fui!!

Murillo Novaes 

 

No través de Salvador, Martine Grael e o AkzoNobel tomam a liderança na VOR.

m106776_13-02-171115-azn-jsb-00027.jpg

Alegria brasileira no feriadão. Martine e o time lideram a primeira perna da VOR. Viva o leste!

A proclamação da república brasileira foi comemorada em grande estilo pela única brasileira a correr esta edição da regata de volta o mundo. No meio do Atlântico sul, bem de fronte (láaa looonge… a 240 milhas náuticas da terra) da primeira capital da futura república federativa, Salvador, o time holandês Akzo Nobel aparece em primeiro na tabela. Como é bom ver nossa menina de ouro lá em cima! Mesmo que talvez seja momentaneamente já que o Team Brunel e o Dongfeng também sentiram o gosto da liderança por pelo menos uma vez nesta quarta-feira de feriado nacional.

As sete equipes já passaram da metade do caminho entre Lisboa e a Cidade do Cabo. Ao todo, a etapa tem 7.000 milhas. Ventos de até 20 nós foram registrados nesta tarde. Os barcos estão fazendo um arco pela costa brasileira, contornando a “alta de Santa Helena”, antes de apontar de vez para a África.

Como o cérebro eletrônico da regata usa uma equação para calcular quem lidera (na rota ideal) e o objetivo é no leste e o team AkzoNobel está mais a leste e um pouco mais rápido que os demais adversários pulou para o alto da tabela. Que fique assim!!  ”O caminho mais a leste foi para ter um extra de velocidade. Os barcos estão em uma disputa muito rápida e estamos tentando obter um pouco de vantagem sem perder o contato. Assim serão os próximos dias”, disse o navegador do AkzoNobel, Jules Salter,  o Julinho Salgado, campeão junto ao pai de Martine, no Ericsson 4, em 2009 .

O também barco holandês Team Brunel atingiu boa velocidade nessa briga de gato e rato pela liderança. ”Estou feliz com o nosso desempenho. Aprendemos algumas configurações e ajustes importantes de vela, assim como outros nessa etapa”, escreveu Bouwe Bekking, comandante do Brunel.

A previsão indica fim da segunda etapa entre 24 e 25 de novembro. O vencedor da primeira perna foi o Vestas 11th Hour Racing. O team AkzoNobel de Martine Grael foi o quarto. E agora está lá no topo da tabela!! Vamos comemorara!!

Akzo em 4º no expresso atlântico da VOR. Mussulo volta depois de pit stop forçado na TJV. Bouwmeester e Burling são velejadores do ano da World Sailing. Almirante Casaes sucede Paulo Freire na presidência da ABVO.

Unknown-2

Com uma timoneira destas as chances do time holandês de tintas fortes só aumenta. Para cima deles, Tine!

Bom dia querido amigo e mais que querida amiga. Já de volta à cidade maravilhosa (e perigosa!) e antes de tomar o rumo lesto para o cabo (Frio), vamos às poucas e boas do planeta Vela, porque a bolinha azul, que viaja agora a mais de 900.000 km/h no sideral espaço deste universo em expansão, não para.  E ainda tem um monte de gente que, tripulando uma nave megarástica destas, acha que alta tecnologia são aqueles foguetinhos da NASA. Ou o último iPhone… Enfim…

Ao que interessa! Na descida expressa do Atlântico Norte, a flotilha one design de VO65s continua a provar a tese de que barcos iguais produzem regatas mais emocionantes. Bem, se serve de argumento, os quatro ponteiros deste desafio vélico de alta velocidade estão agora praticamente no visual um do outro. O líder Vestas e o terceiro (segundo o computador central), MAPFRE, estão a menos de duas milhas um do outro. Quase ao alcance de um bom berro!…

Dongfeng, em segundo, 10 milhas a leste do líder, e nosso AkzoNobel, em quarto, umas poucas milhas atrás dos sino-gauleses, completam os quatro fantásticos desta primeira zona climática (Alísios de NE no hemisfério norte) da segunda perna. Brunel, 50 milhas atrás do Vestas, TTT on Plastic, a 90mn e Scallywag, a 124mn, completam a tabela. Mas ainda tem mais de 4500 milhas até a África, as calmas equatoriais (doldrums, pot au noir, ITCZ, como queira chamar) e os novos alísios do hemisfério austral para embaralhar a zorra toda, como diria a grande filósofa Ludmila do funk. A ver!!

image-r-1200-0

Depois do involuntário repouso, o Classe40 Mussulo volta à carga na Transat rumo à Bahia. Axé!!

Já na Transat Jacques Vabre, o  barco brasileiro/angolano Mussulo 40 Team Angola Cables retomou regata, na madrugada desta quarta-feira (8) após ficar quase 24 horas parado em Camaret, na França. A dupla Leonardo Chicourel e José Guilherme Caldas decidiu fazer o pit-stop após constatar falhas de equipamento nos primeiros dias de prova no Canal da Mancha. ”Ainda estamos na briga”, disse Leo Chico antes de deixar Camaret. Sem dúvida!

O velejador baiano espera recuperar as posições perdidas agora. ”Apesar de um pouco frustados por ter parado, estamos com com muita garra para continuar a regata. Realmente não tínhamos outra opção, pois precisávamos de peças para repor nos instrumentos e outro cabo elétrico para nossa fonte de energia, materiais que só chegaram à noite. Mas tudo tem seu lado bom!”. Após a subida no mastro, a dupla fez ainda outras trocas, principalmente de cabos danificados. ”Seguimos firmes e felizes por estar de volta ao mar!”.

A dupla tentava se aproximar do pelotão intermediário da Class40 quando foi obrigada a parar. Agora, os brasileiros precisam se recuperar, já que a vantagem do líder provisório da categoria é superior a 420mn. O Imerys Clean Energy, que está a 3600 milhas de Salvador, abriu pequena vantagem na ponta, na aproximação das costas portuguesas no Atlântico Norte. O líder geral no momento é, claro, o trimarã Ultime (100 pés) Edmond de Rotschild, a 2830mn da linha final. Entre os IMOCA, na ponta está o St.Michel/Virbac a 3400mn da boa terra. Força, Mussulo!!

E na conferência anua da World Sailing (antiga ISAF, a Fifa da vela), em Pueto Vallarta, no México, ontem a noite foi dia de festa no Pátio Los Arcos. Pela segunda vez (na primeira o parceiro Blair Tuke também ganhou) o kiwi voador, medalha de ouro no 49er no Rio, timoneiro vencedor da última Copa América nas Bermudas e, agora, um dos timoneiros do Brunel na VOR, Peter Burling. O cara é demais!! Ainda por cima é super humilde, tranquilo e gente boa. Merecido!

Já entre as meninas não deu pra Martine e Kahena faturarem o bi. Faz parte. A vencedora foi a medalhista de ouro holandesa Marit Bouwmeester. A moça, que teve uma série de contusões após os jogos, voltou no meio deste ano para vencer de forma brilhante o Mundial de Laser Radial e na sequência faturou o Europeu também. Se eu fosse um complexado vira-lata baba-ovo de gringo chamaria de hat trick, mas lá nas vielas de Cabo Frio a gente diz “fez barba, cabelo e bigode” mesmo. No caso da holandesa, barba e bigodes metafóricos, bem entendido!

whatsapp-image-2017-11-06-at-4-37-32-pm

O agora ex-comodoro da ABVO, Paulo Freire, coroou o fim da gestão com o belo título geral do Circuito Rio 2017. Com a mão no caneco, além do comandante, vemos um Guilherme e um Gigante. Arrebentatum est!

E, por fim, temos troca de comando na nossa querida e cada vez mais atuante, ABVO, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano. O comodoro Paulo Freire, que coroou o fim de sua vencedora gestão com o título do Circuito Rio no seu BB40 Miragem, passou o bastão pra outro campeão recente em águas fluminenses, nosso eterno galã da armada, o reformado (mas coma fechada super em cima sempre…) almirante Adalberto Casaes, do Skipper30 Maestrale.

A votação online teve 69 votos, sendo dois nulos em um total de 123 associados. Presencialmente, houve quatro votos. Deste total, um não pode ser computado por não ter assinado a lista de presença. A nova chapa foi eleita então com 70 votos. Bingo!!

“O período à frente da ABVO nestes últimos dois anos foi uma espécie de continuação do trabalho que foi iniciado em 2012, com o grupo liderado pelo Lars Grael. Conseguimos aumentar o número de barcos associados de forma descentralizada, com destaque para as flotilhas de São Paulo e do Rio Grande do Sul. O novo site foi uma ferramenta fundamental para a comunicação com os associados, clubes e fabricantes, pois possui informações valiosas como calendário, associados, certificados, além da divulgação constante dos eventos da vela de oceano. O aprimoramento das regras da Copa Brasil com calendário prévio definido, incluído as diversas regras, também foi importante para a consolidação da competição e já estamos no quinto ano da disputa.  Com tantas frentes de trabalho, o aprimoramento contínuo das medições, com a introdução de novas tecnologias, julgo ser a tarefa mais importante , pois vai dar mais credibilidade ao sistema de ratings, fundamental para a atração e retenção de mais barcos nas regatas.  Embora tenhamos crescido nestes últimos anos, ainda temos um grande potencial a ser explorado, com a integração da vela de oceano em uma organização com cobertura nacional. O crescimento também pode viabilizar a profissionalização da ABVO garantindo a sua perenidade, já que hoje a ABVO ainda depende muito do trabalho voluntário de seus abnegados velejadores”, disse Paulo Freire.

“Participei ativamente da comodoria presidida por Lars Grael que, a partir de 2012, reorganizou e colocou a ABVO navegando em águas seguras. Continuei a acompanhar e apoiar o Comodoro Paulo Freire, que imprimiu dinamismo, aprimorou a atual estrutura e agora entrega a ABVO com terreno fértil para novas semeaduras. Desejo seguir o mesmo rumo, contando com o apoio de excelente e diversificada equipe de abnegados, e destaco alguns desafios que tentaremos superar: encontro de soluções para acomodar critério único de medições que neste momento divide as Classes IRC e ORC; perseverar na ampliação de associados com veleiros de todas as Classes e regiões para consolidar a vela oceânica brasileira sob o arcabouço único da legítima entidade ABVO e buscar alternativas para encontrar lugar adequado no cenário da mídia esportiva, conquistando maior visibilidade e oportunidades para a vela oceânica”, falou o novo Comodoro Casaes.  Bons ventos, almirante!! Conte conosco!!

Nova diretoria da ABVO:
Comodoro – Adalberto Casaes -Maestrale
1° Vice Comodoro – Mario Martinez- Rudá
2° Vice Comodoro – Hans Hutzler – Aventureiro

Secretaria Executiva – Christina Frediani
Diretor Jurídico – Francisco Siemsen Bulhões  / Kadja Brandão
Diretor de Comunicação – Mário Martinez

Conselho Fiscal:
Titulares 
Edvaldo Sobreira- Colibri
Luciano Secchin – Bravíssimo
Eduardo Bierkeland – Klimax

Suplentes
Andrea Nicolino – Eurus
Lars A Muller – My Boy

Conselho Técnico:
Lars Grael
Carlos Cuca Sodré
Nelson Ilha
Paulo Freire

Outros cargos não estatutários:
Diretor Técnico – Pierre Joullie – Saravah
Demais cargos: coordenações regionais, representantes das regras BRA-RGS, IRC, MOCRA, Clássicos e ORC, representação junto à CBVela e conselho de ética serão designados pela nova comodoria.

Fui!! Direto para casa porque a saudade é grande!!

Murillo Novaes (com Flavio Perez/TJV e Mari Peccicacco/ABVO) 

Aha, uhu, que domingo é esse? Tem largada da Volvo, Transat e final do Circuito Rio. Clipper Race e Mini Transat já estão a pleno vapor também.

Leg 01, Alicante to Lisbon, First Morning on board AkzoNobel. Photo by Konrad Frost/Volvo Ocean Race. 23 October, 2017

Martine está confirmada à bordo do AkzoNobel rumo à África.

Bom dia, querido amigo e mais que querida amiga. Lembra do resumão? Pois é! Hoje é tipo um resumão involuntário… Muito coisa rolando no planeta Vela. Apertem os cintos (ou melhor, clipem os cintos…) que vai começar!!

Primeiro temos às 1400UTC (1200 em Brasília) a largada da segunda perna da VOR. A etapa vem a ser a segunda maior em distância (só da N.Zelândia pra Itajaí são mais milhas) e rivaliza em termos de tempo, aproximadamente 22 dias, entre nossa ancestral Lisboa e a Cidade do Cabo. Que cabo? O das Tormentas, ora! Que virou Boa Esperança obviamente para aqueles que por lá não soçobraram…

E depois de muita tempestade em terra, com um sai não sai de comandantes e tripulantes, eis que nossa menina de ouro, Martine Grael, única e solitária representante da terra brasilis neste desafio planetário, vai de AkzoNobel pros Atlânticos – norte e sul.

O skipper viúva Porcina (que foi sem nunca ter sido), Brad Jackson, e nosso querido Joca Signorini realmente ficaram de fora do time holandês. Mas Julinho Salgado (ou Jules Salter), navegador campeão no Ericsson 4 com papai Grael em 2009, voltou e Chris Nicholson, experiente comandante de incontáveis milhas, algumas até interrompidas de forma abrupta, como no Vestas na última edição, e um outro holandês aí, Peter van Niekerk, velejador olímpico, entraram no time como capitães de turno e tudo promete ser mais suave agora.

Ao menos em termos administrativos e emocionais, porque em termos de velejada… De VO65 em regata nunca é mesmo! Plugue na web na hora marcada (www.volvooceanrace.com) e acompanhe o desenrolar dos primeiros fatos desta perna…

Veja abaixo o que Martine falou antes de partir:

Já no Havre, rola hoje também a largada da tradicional Transat Jacques Vabre às 1230UTC (1030 em Brasília) com largada ao vivo no site www.transatjacquesvabre.org.

São 74 velejadores, em duplas, disputando em quatro classes o direito de entrar para a história. Os quatro incríveis trimarãs da classe Ultime (bem um deles não mede oficialmente na classe, mas foi aceito na categoria), de 100 pés, trazem uma constelação de feras do oceano, sendo o ponto alto ninguém menos que Thomas Coville, que já circundou o planeta sete vezes, atual detentor do recorde absoluto de volta ao mundo em solitário (49d 3h 7m 38s), que fará dupla com Jean Luz Nélias, no “Sodebo Ultim”, o mesmo barco em que fez seu tempo inacreditável no ano passado. Só pra citar um cara…

Entre os IMOCA (antigos Open 60, os barcos da Vendée Globo e tantas outras regatas em solitário e duplas) são 13 super duplas também. E entre elas está um barco semi-barsuca digamos. O “Vivo à Beira”, uma refência a um poema da poetisa Clarice Lispector, que traz dois franceses que buscam fundos para projetos sociais educacionais no nosso País. ”Somos o outro barco do Brasil na regata. Vamos usar a prova para levar uma mensagem de esperança aos jovens das favelas brasileiras”, explicou Pierre Lacaze, co-skipper da nave.

E Pierre diz ser o outro barco brasileiro porque temos o Classe40 angolano-brasuca “Mussulo 40 Team Angola Cables” com o baiano Leonardo Chicourel, que está a bordo ao lado do angolano José Guilherme Caldas, que mora em São Paulo (SP). A dupla já venceu a Cape Tow-Rio em dupla e estabeleceu o recorde desta regata para a categoria. No total serão 15 veleiros Classe40 e a disputa promete ser boa. Há também mais seis barcos competindo na categoria Multi50 de multicascos. Veja abaixo dois vídeos com nossos heróis.

E para que os oceanos não fiquem vazios de emoção temos ainda as regatas finais do Circuito Rio hoje na cidade maravilhosa (e abandonada!) com belas disputas nas classes ORC, IRC e RGS. A Clipper Race, a regata para tripulas amadoras pagas, já está a na terceira perna, entre a Cidade do Cabo (que cabo?…) e Perth, no oeste australiano. Lembrando que o “Greenings” abandonou após encalhar na África do Sul e o “Hotelplanner.com” retornou para fazer reparos em Porto Elisabete.

E, claro, temos ainda a segunda perna da famosa Mini-Transat das Canárias para a Martinica. Depois de três dias nesta etapa, o 21 pés (Mini 6.5m) estilo ‘tamanco’ ou ‘Scow’ de Ian Lipinski, o “Griffon”, vencedor também da primeira perna, de La Rochelle até Las Palmas, liderava a apenas(!!) 2,207.9 milhas do final e 45mn sobre Simon Koster (Eight Cube Sersa). Não saia daí a coisa está quente!! Fui!! Ver as largadas…

Murillo Novaes

Team Brunel vence regata de porto de Lisboa na VOR

m105628_13-02-171103-asv-05987-0145.jpg

Barco holandês, de Bouwe Bekking, segura investidas do MAPFRE e ganha prova na capital portuguesa. Agora o foco é total na saída para a Cidade do Cabo, que será neste domingo

A Mirpuri Foundation In-Port Race de Lisboa, disputada nesta sexta-feira (3), foi vencida pelo Team Brunel, barco comandado pelo holandês Bouwe Bekking e que tem com tripulante de destaque o neozelandês Peter Burling, apontado como o velejador do momento! A equipe resistiu a pressão do MAPFRE durante todo percurso e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar no Rio Tejo com oito segundos de vantagem para o time espanhol.

“Eu acho que nós fizemos um bom trabalho, nós melhoramos como equipe. É sempre bom vencer, mas acho que navegamos muito bem com bastante vento no final. Tomamos as decisões corretas nessas condições”, disse Bouwe Bekking.

O pódio teve ainda o Dongfeng Race Team em terceiro. Com a brasileira Martine Grael a bordo, o team AkzoNobel foi o quarto colocado. A campeã olímpica foi confirmada horas depois na Etapa 2, que larga no domingo de Lisboa, Portugal, para a Cidade do Cabo, na África do Sul.

Com isso, a crise do time holandês parece ter arrefecido. Simeon Tienpont vai realmente ser o skipper, mas conseguiu que o navegador Jules Salter retornasse ao barco e ainda trouxe como capitão de turno o experiente Chris Nicholson, que comandou o Vestas na regata passada. A tripulação confirmada pelo AkzoNobel para segunda perna é:

Simeon Tienpont (NED) – skipper

Jules Salter (GBR)

Brad Farrand (NZL)

Martine Grael (BRA)

Luke Molloy (AUS)

Emily Nagel (GBR/BER)

Chris Nicholson (AUS)

Nicolai Sehested (DEN)

Peter van Niekerk (NED)

 

Voltando à regata de porto… Os ventos fortes obrigaram as equipes a fazer muitas manobras, não apenas nos contornos de bóias. Para piorar, a chuva não deu trégua aos velejadores no percurso, montado próximo à terra para garantir que o público das cidades-sede acompanhe a prova.

O Brunel liderou desde o começo, sempre mais à direita do resto da flotilha. O MAPFRE e Dongfeng apertaram pra tentar passar até o fim. ”Foi intenso. Sabíamos que seria difícil hoje com as rajadas de vento. Começamos bem, mas na marca de barlavento nós ficamos muito lentos e caímos. Mas voltamos pouco a pouco terminando em segundo lugar”, disse Xabi Fernández, campeão olímpico a bordo do MAPFRE.

O segundo lugar na prova deixou o MAPFRE na liderança do campeonato paralelo das In-Port Races, que assim como na última edição da VOR só conta mesmo como critério de desempate caso dois times tenha o mesmo número de pontos ao final

Resultado da Mirpuri Foundation In-Port Race Lisboa
1. Team Brunel
2. MAPFRE
3. Dongfeng Race Team
4. team AkzoNobel
5. Vestas 11th Hour Racing
6. Sun Hung Kai/Scallywag
7. Turn the Tide on Plastic

 

Captura de Tela 2017-11-03 às 18.20.59.png

Com Flavio Perez/VOR

 

 

%d blogueiros gostam disto: